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Deputado Goura (PDT) debate agroecologia e Parque Araçatuba-Quiriri com agricultores de Tijucas do Sul
O deputado estadual Goura (PDT) se reuniu, na semana passada, com representantes do Grupo Orgânicos da Serra, de Tijucas do Sul, para uma conversa ...
29/04/2026 13h28
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná

O deputado estadual Goura (PDT) se reuniu, na semana passada, com representantes do Grupo Orgânicos da Serra, de Tijucas do Sul, para uma conversa sobre a proposta de criação do Parque Nacional Araçatuba-Quiriri e sobre políticas voltadas para a agroecologia.

Cerca de 20 agricultores e agricultoras participaram do encontro e puderam tirar dúvidas a respeito da proposta, que foi apresentada ao Ministério do Meio Ambiente pelo deputado Goura e pelo deputado estadual Marquito (PSol), de Santa Catarina, em 2024.

“A gente esteve ali em Tijucas, bem próximo ao Araçatuba, conversando com agricultores da região, produtores orgânicos, sobre várias questões nas políticas de agroecologia, de compostagem, de bioinsumos, de produção de sementes orgânicas e também sobre a proposta de criação do parque”, disse Goura.

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A criação de uma Unidade de Conservação Federal, abrangendo as serras do Araçatuba e do Quiriri, na divisa entre o Paraná e Santa Catarina, vem sendo discutida com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A intenção é criar um mecanismo de potencialização da vocação turística e de proteção ambiental daquele território, que abrange parte dos municípios de Joinville, Campo Alegre e Garuva, em Santa Catarina, e Tijucas do Sul e Guaratuba, no Paraná.

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Combate à desinformação

Goura afirmou que a intenção da conversa com os agricultores é combater a desinformação a respeito do que está sendo proposto e avaliado pelo ICMBio.

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Ele explicou que, em 2024, foi solicitado à então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, um estudo sobre a possibilidade de implantação de uma área de conservação englobando esse conjunto natural e cultural que reúne as duas serras.

“Por que pedir isso ao governo federal? Justamente porque a gente está falando de uma área que se estende por dois estados. Essa sugestão entrou como uma proposta e, desde então, o ICMBio, que é o órgão ambiental responsável, no âmbito nacional, pela criação e manutenção de unidades de conservação, está avaliando”, disse.

Benefícios de um parque nacional

Goura ressaltou que um parque nacional traz inúmeros benefícios para a região, como incentivo ao turismo de natureza, turismo de montanha, turismo de observação de animais, entre outras possibilidades previstas em uma unidade de conservação que preveja o uso público.

“O Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, é uma área que fomenta o turismo em toda a região, e o ICMBio está fazendo uma gestão para ampliar esse turismo para além do município de Foz do Iguaçu, alcançando os municípios lindeiros ao parque. Isso tudo está acontecendo”, disse, ao citar também os exemplos dos parques nacionais de Itatiaia, no Rio de Janeiro, e de Itaimbezinho, entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.

“E é isso que a gente está defendendo: que essa área tenha um status de preservação, para que possamos garantir que esse ambiente natural tão magnífico e tão importante para a ecologia seja devidamente preservado, que a visitação seja ordenada, com controle e segurança. E tudo isso está sendo desenhado pelo ICMBio”, ressaltou Goura.

Avaliação técnica e consultas públicas

O deputado argumentou que a proposta será avaliada tecnicamente quanto à relevância e às possibilidades efetivas de implantação. Para isso, existe uma etapa de estudos, de diálogos e de consultas públicas que deverão ser realizadas.

“Essas etapas ainda não foram iniciadas porque está havendo um terrorismo, pautado em desinformação e mentiras, que está criando um ambiente de pânico, e não um ambiente de diálogo e de debate democrático”, frisou.

Desapropriação e outras desinformações

Agricultores e agricultoras apresentaram indagações e questionamentos sobre notícias falsas que estão sendo divulgadas por pessoas contrárias à criação de um parque nacional na região.

“É preciso ressaltar que a proposta engloba apenas as encostas das montanhas, que já são áreas de preservação permanente, junto com os campos de altitude. Não há área produtiva dentro da proposta; ninguém vai perder sua área de produção, a produção agrícola e mesmo plantações, às vezes de pinus e de eucalipto, que estão no entorno”, disse Goura.

“Ninguém vai perder a sua área, onde a sua família, seus avós, seus bisavós talvez já estejam há várias gerações plantando. Isso não vai acontecer. A proposta contempla as encostas das montanhas, as áreas de nascentes, os mananciais e os campos de altitude, que já estão completamente fragilizados”, assegurou.

Goura afirmou, por fim, que, se de fato os governos de Santa Catarina e do Paraná estivessem agindo com preocupação, a invasão de pinus já estaria controlada.

“Porque isso é uma invasão; não é um pinus que está sendo plantado, ele está sendo levado pelo vento, por dispersão. E o pinus prejudica o meio ambiente, a fauna, a flora, o solo e a água. Tudo isso está acontecendo e ninguém está fazendo nada. Esse é um problema biológico que um parque nacional pode se propor a controlar e melhorar”, disse.

Falhas na comunicação

Goura reconheceu que, ao longo do processo, houve falhas de comunicação que prejudicaram o debate e deram abertura para a criação de um ambiente de temor em torno do tema.

Porém, frisou que o projeto visa à proteção ambiental e ao fortalecimento do turismo e da economia da região. “E isso tudo está sendo distorcido de forma muito intencional, o que não é o espírito da proposta”, acrescentou.

Por fim, Goura lembrou que tem pautado diversas questões e políticas públicas ligadas à agroecologia, à redução de agrotóxicos, ao fomento à produção de orgânicos no estado do Paraná, ao fortalecimento da agricultura familiar e à defesa do meio ambiente.

Compostagem e sementes orgânicas

Outro ponto trazido pelo grupo foi a necessidade de implementação de políticas de compostagem no município, para reduzir os aterros, que estão causando a contaminação da água.

Goura ressaltou que, de todo o material que vai para os aterros, 40% é material orgânico que poderia ser compostado e transformado em bioinsumos.

Do restante, 30% é reciclável e pode ser encaminhado para usinas de reciclagem, e apenas 20% é rejeito, que teria como destino os aterros.

O anfitrião do grupo, o senhor Johannes Geore Rinklin, falou também da importância de buscar apoio para a produção de sementes orgânicas.

“A Rede Ecovida busca projetos para que os produtores de orgânicos tenham sementes orgânicas para a produção”, disse.

Goura ressaltou que seu mandato sempre teve atuação alinhada às demandas de saúde, nutrição e meio ambiente e se colocou à disposição para buscar soluções para as demandas apresentadas.

“Sou o autor da Lei da Agricultura Urbana em Curitiba, apresentamos o projeto de lei que prevê Curitiba e a RMC livres de agrotóxicos e também o que proíbe a pulverização de fipronil. Atuamos em várias frentes para fortalecer a agroecologia e a aproximação da cidade com o campo”, disse.