A orla da Marabá Pioneira foi palco, na tarde desta sexta-feira, 24, de um verdadeiro mergulho nas raízes do sudeste paraense. O segundo dia do 5º Giro Cultural, realizado pela Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM), transformou o cenário em frente ao Museu Municipal Francisco Coelho em um grande quilombo de celebração popular. O evento, que já se consolidou no calendário oficial da cidade, reuniu famílias, artistas e entusiastas da cultura para prestigiar o folclore e o talento regional.
O destaque da programação foi o caráter lúdico, desenhado especialmente para envolver o público infantil e fortalecer a transmissão de saberes entre gerações. A tarde foi marcada pelas batucadas e cores dos bois-bumbás e pela mística das lendas que, literalmente, ganharam vida.
Para quem visitava o museu, a surpresa foi ver o acervo ganhar movimento. Segundo Thais Cariello, presidente da FCCM, o Giro Cultural é o momento em que a história deixa as vitrines para ganhar as ruas.
“É uma programação muito especial para as famílias. As lendas passam o ano inteiro dentro do museu e, neste momento do Giro, elas revivem. Elas descem, saem do museu e se apresentam para a nossa cidade. É um momento de muita magia, onde as crianças podem ver de perto aquilo que faz parte do nosso imaginário”, destacou a presidente.
A diretora do Museu Francisco Coelho, Lara Luz, reforçou que o projeto é uma política pública essencial para a manutenção das expressões populares.
“Celebramos aqui formas de viver e festejar a vida em Marabá. O evento culmina com o cortejo da Companhia de Arte pela orla ao pôr do sol, unindo música e tradição em um cenário único”, afirmou.
O ritmo foi ditado por grupos tradicionais como o Marabazinho, Pingo de Ouro e o Boi Flor do Campo. À frente deste último, a figura emblemática de Zé do Boi resumiu o sentimento de quem dedica décadas ao folclore. Para o coordenador, o boi-bumbá ignora a barreira da idade.
“O boi não tem idade. A criança vê a folia e já começa a se manifestar. O idoso, como eu, vem pelo costume e pela paixão. Passei um ano sem fazer o boi e passei mal. Agora vou até o final. É algo gratificante que está marcado na minha vida e na vida da cidade”, confessou Zé do Boi, visivelmente emocionado com a recepção do público.
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Para o público, o Giro Cultural é um elo com o passado. O pecuarista Marconi Sampaio vê no evento uma oportunidade de resgate.
“As tradições estavam sendo esquecidas. Esse evento motiva o município a resgatar o legado que recebemos na infância para passarmos agora aos nossos netos. É muito legal rever esse passado”, pontuou.
A importância social da Casa da Cultura também foi lembrada por Claudina Pereira, técnica em Enfermagem, que acompanhava o filho, músico da banda da FCCM.
“Sempre participo e assisto. É fundamental ver nossos jovens e mulheres ocupando esses espaços culturais. Meu filho toca aqui hoje e eu vim prestigiar com muito orgulho”, disse ela, que também integra o grupo Boi Treme Terra.
Já no início da noite, personagens icônicos como a Iara, o Boto, a Matinta Pereira, a Boiúna e o Pé de Garrafa conduziram o público em um cortejo sinuoso pela orla. O encerramento selou o segundo dia do evento não apenas como uma festa, mas como um ato de resistência e amor à cultura paraense.
Neste sábado, 25, às 16h, acontece o terceiro dia do evento com apresentação dos grupos tradicionais Divino Espírito Santo e Santo Reis, encerrando-se com procissão na orla da Marabá Pioneira.
Texto: Fabiana Alves
Fotos: Sara Lopes
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