Em sintonia com as celebrações do Abril Indígena, museus administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) oferecem uma programação especial em homenagem aos povos originários. O Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) sedia a Ocupação ORIGEM: arte indígena contemporânea, a partir de 24 de abril, enquanto o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho apresenta um núcleo expositivo permanente dedicado aos povos indígenas, com destaque para a etnia Tupinambá.
Realizada em parceria com a Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA), da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), e com a Superintendência de Políticas para os Povos Indígenas, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), a Ocupação ORIGEM acontece em diferentes espaços do MAC_Bahia.
No Piso 1, a Galeria Casarão recebe a Mostra do Artesanato e da Arte Contemporânea Indígena, uma iniciativa de valorização das expressões artísticas e de promoção da cultura dos povos originários. Na área externa, a Feira Artesanato da Bahia – edição indígena – reúne artesãs e artesãos de diversas etnias. de 24 a 26 de abril.
No Piso 2 do Casarão, a programação inclui a mostra audiovisual “Por onde andam nossas histórias Wapixana?”, do artista indígena Gustavo Caboco. Os vídeos dialogam com acervos e arquivos históricos do povo Wapixana.
Na Galeria 3, o público confere uma exposição de cocares indígenas das etnias Pataxó, Tupinambá, Kiriri, Chocó e Kiriri-Chocó, entre outras. Já na Galeria 4, a mini mostra “Entreatos do Acervo do MAC Bahia” apresenta quatro fotoperformances de Célia Tupinambá. A programação inclui, ainda, uma edição temática do Cine Paredão.
A Ocupação ORIGEM tem como foco a valorização de políticas públicas voltadas à cultura indígena. Dessa forma, o Ipac reafirma seu compromisso com práticas curatoriais inclusivas, reconhecendo as expressões culturais dos povos originários como parte fundamental do patrimônio da Bahia. As obras apresentadas confrontam apagamentos históricos, reivindicam direitos e celebram saberes ancestrais.
Núcleo dos Povos Originários amplia diálogo com o Recôncavo
No Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, localizado na Enseada de Caboto, o Núcleo dos Povos Originários oferece ao público uma imersão na história e na presença indígena na região, com destaque para os Tupinambá, que historicamente ocuparam o território.
Com curadoria da fotógrafa Isabel Gouveia, o espaço propõe uma reflexão sobre o processo de colonização e o silenciamento dos povos indígenas. O núcleo reúne fotografias, grafismos do artista plástico Thiago Tupinambá e terminal de vídeo onde é exibido o documentário Brasil Tupinambá, dirigido pela antropóloga baiana Celene Fonseca, uma contribuição para o debate sobre identidade, memória e resistência indígena, evidenciando a permanência e a luta desse povo até os dias atuais.
“É fundamental conectar o museu à realidade anterior à chegada dos europeus e humanizar os povos indígenas, historicamente tratados como inferiores. No Recôncavo, os Tupinambá habitavam esse território, e é essencial que reencontrem seu lugar dentro da narrativa do museu”, afirma Celene.
Como protagonistas da história do território antes e durante a chegada dos europeus, os povos originários desenvolveram estratégias de resistência que garantiram sua continuidade ao longo do tempo, apesar das tentativas de apagamento. As aldeias Tupinambá deram origem às primeiras vilas do Recôncavo e estão na base da formação do povo brasileiro.
“Os Tupinambá de hoje são aqueles que deram continuidade à luta de seus antepassados. Eles nunca desapareceram, estavam apenas, digamos assim, numa semiclandestinidade. O apagamento identitário não foi completo, e o recuo foi estratégia de luta”, explica a antropóloga.
O núcleo dos Povos Originários tem o propósito de ampliar o diálogo entre passado e presente, conectando o público às trajetórias indígenas e reafirmando a importância desses povos na formação cultural da Bahia, estado com a segunda maior população indígena do país, estimada em 239 mil pessoas de 35 etnias.
Os elementos dispostos no espaço estão em tensão com a obra”Vista do Rio Paraguaçu”, de Jean Baptiste Grenier, uma paisagem serena, silenciosa, quase contemplativa, e um desenho de Charles Motte, baseado numa obra de Debret, que mostra uma cena explícita de indígenas prisioneiros. “É nesse intervalo que o núcleo se constrói, entre o que parece neutro e o que é declaradamente violento. O gesto curatorial mais potente talvez seja esse: não apagar essas imagens, mas tensioná-las. Colocá-las em confronto com outras formas de saber, de ver, de existir”, explica Daniela Steele, coordenadora do museu.
Serviço
Ocupação ORIGEM: arte indígena contemporânea
Abertura: 24 de abril de 2026
Visitação: 25 de abril a 2 de agosto de 2026
Horário: terça a domingo, das 10h às 20h
Onde: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) – Rua da Graça, 284, Graça, Salvador (BA)
Entrada gratuita
Núcleo dos Povos Originários
Visitação: quarta a domingo, das 9h30 às 16h30
Onde: Museu do Recôncavo Wanderley Pinho (Via Matoim, s/n, Enseada de Caboto, Candeias)
Entrada gratuita
Fonte
Ascom/Ipac