Segurança IMPERIALISMO
O FRACASSO DO BELICISMO DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA O IRÃ E O DECLÍNIO DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO.
No momento, o Irã é que está impondo as condições para um acordo de paz com os Estados Unidos.
21/04/2026 23h46
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
Imagem Ilustrativa com recurso de IA

Fernando Alcoforado*

Este é o resumo do artigo de 6 páginas cujo objetivo é demonstrar que a aventura belicista dos Estados Unidos contra o Irã aprofunda o declínio do imperialismo norte-americano. Neste artigo, serão analisados o fracasso do imperialismo norte-americano na guerra contra o Irã e suas consequências, bem como as causas e consequências do declínio do imperialismo norte-americano.

Pode-se afirmar que o governo Trump dos Estados Unidos não atingiu seus objetivos estratégicos centrais na guerra contra o Irã porque não conseguiu realizar a mudança do regime iraniano, não obteve a rendição incondicional do Irã, não levou ao fim do programa nuclear do Irã e não impediu o fechamento do Estreito de Ormuz pelos iranianos. Os Estados Unidos fracassaram na guerra contra o Irã porque, mesmo contando com o apoio militar de Israel, seus objetivos políticos e militares não foram alcançados apesar da grande destruição de grande parte da infraestrutura econômica e militar iraniana que, mesmo assim, o governo iraniano atacou e destruiu instalações militares e infraestruturas de Israel, destruiu bases militares norte-americanas e instalações de empresas dos Estados Unidos localizadas nos países árabes aliados do imperialismo norte-americano com o uso de mísseis balísticos e drones. 

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A superioridade militar dos Estados Unidos não se converteu em vitória política e militar com a rendição incondicional do governo do Irã, evidenciando limites de seu poder militar. No momento, o Irã é que está impondo as condições para um acordo de paz com os Estados Unidos com seu plano de 10 pontos descrito a seguir:

·       Garantia de que não haverá novos ataques contra o Irã;

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·       Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz;

·       Reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio;

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·       Suspensão de todas as sanções, incluindo primárias e secundárias;

·       Encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);

·Pagamento de compensações ao Irã;

·Retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região;

·Fim das ações militares em outras frentes, incluindo contra grupos aliados do Irã no Líbano;

·Liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior;

· Aprovação de todos os pontos em uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.

O fechamento do Estreito de Ormuz para navios de países inimigos é a principal arma que o Irã utiliza contra o governo Trump que, em contrapartida, promoveu um bloqueio naval para impedir a passagem dos navios de países amigos do Irã. O acordo de cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irã foi suspenso pelo Irã que, ao exigir a inclusão do Líbano no cessar-fogo, forçou o governo Trump a impedir que Israel continuasse o bombardeio no Líbano. Com o fim do bombardeio do Líbano, o governo do Irã afirmou que só abriria o Estreito de Ormuz com o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra navios de países amigos do Irã. Muito dificilmente haverá acordo para o fim da guerra porque os Estados Unidos não concordam com o plano de 10 pontos do Irã, nem este país concorda com as exigências norte-americanas, sobretudo de abandono de seu programa nuclear. Diante do impasse, tudo leva a crer que Trump promoverá a intervenção militar especialmente do Estreito de Ormuz e tentará destruir a infraestrutura de energia, as pontes e as instalações de dessalinização da água do Irã para obrigar o governo iraniano a assinar um acordo favorável aos Estados Unidos e ele não se considerar derrotado neste conflito. Muito provavelmente, os Estados Unidos somará mais uma derrota política e militar como as que ocorreram no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão.      

A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã mostrou falta de estratégia clara por parte do governo Trump, cuja ação militar se caracterizou pela incompetência e improvisação. A resistência militar iraniana tem sido fundamental para impedir uma vitória rápida por parte do imperialismo norte-americano e seus aliados israelenses. Custos econômicos extremamente elevados e riscos globais (como o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã) ampliaram o impacto sistêmico da guerra no Irã, que pode ser entendido como sinal de desgaste estrutural dos Estados Unidos, limitação de seu poder militar e indicador de transição para uma nova ordem mundial multipolar.

O declínio do imperialismo norte-americano provocará mudanças no sistema internacional com a ascensão de grandes potências como China e Rússia, maior capacidade de resistência de países ameaçados de intervenção política e militar pelos Estados Unidos como está ocorrendo com o Irã, por exemplo, e tendência à multipolaridade. Tudo leva a crer que, em substituição à hegemonia global norte-americana, haverá a curto prazo a construção de um sistema mundial multipolar sob a liderança conjunta da China, Rússia, União Europeia e dos Estados Unidos, num quadro de equilíbrio de poder.

Apesar de seu declínio, o poder dos Estados Unidos ainda é dominante no mundo porque é detentor do maior orçamento militar global, é possuidor de liderança tecnológica e financeira mundial e dispõe de uma rede mundial de cerca de 800 bases militares em vários países do mundo. A derrota política e militar dos Estados Unidos na guerra no Irã não leva ao colapso imediato do imperialismo norte-americano. A guerra do Vietnã, por exemplo, não levou ao fim do poder do imperialismo norte-americano apesar de sua derrota militar.

O declínio do imperialismo norte-americano ocorrerá provavelmente não de forma imediata podendo levar décadas porque os Estados Unidos ainda lideram a economia global com o dólar como moeda dominante, dominam o campo da tecnologia com empresas como Apple, Microsoft, entre outras, e é detentor do maior poder militar global. O dólar, que tem sido utilizado como instrumento de poder dos Estados Unidos,  deverá chegar ao fim como moeda mundial devido à falta de confiança provocada pela ausência de lastro da moeda, pelo declínio da economia norte-americana, pela possibilidade da explosão da bolha da impagável dívida pública dos Estados Unidos e, também, pelo uso político do dólar pelo governo dos Estados Unidos como arma para impor a vontade política do governo norte-americano visando a manutenção de sua hegemonia no plano mundial. O dólar, que no ano 2000 representava 62,5% das reservas mundiais, em 2025 regrediu para 45% devido à falta de confiança no dólar.

Poderá ocorrer reconfiguração do imperialismo norte-americano, mas não seu desaparecimento de imediato. Em vez do fim imediato do imperialismo norte-americano, o cenário mais plausível seria a aceleração do declínio relativo dos Estados Unidos no plano mundial, a redução da eficácia de seu poder militar como instrumento de dominação e a transição para uma ordem multipolar com a ascensão da China, maior autonomia de potências regionais como os países do BRICS e fragmentação da ordem global. A emergência da China como uma superpotência é inevitável e que conflitos de interesses com os Estados Unidos serão incontornáveis.

Existe a possibilidade de uma confrontação militar entre os Estados Unidos e a China. Esta confrontação militar com a China está em processo de preparação pelos Estados Unidos com a constituição do QUAD (Diálogo de Segurança Quadrilateral formado pelos Estados Unidos, Austrália, Japão e Índia) e da AUKUS (aliança militar tripartite formada pela Austrália, Reino Unido e Estados Unidos), enquanto a China adota medidas visando seu fortalecimento militar com o aumento constante dos seus gastos militares. Pelo exposto, o mundo está se aproximando de um conflito militar catastrófico no Pacífico entre a China e os Estados Unidos e seus aliados, com a possibilidade de eclosão da 3ª Guerra Mundial.

Para assistir ao vídeo, acesse o website https://www.youtube.com/watch?v=ZTVK64fPit4

Para ler o artigo em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/165806671/O_FRACASSO_DO_BELICISMO_DOS_ESTADOS_UNIDOS_CONTRA_O_IR%C3%83_E_O_DECL%C3%8DNIO_DO_IMPERIALISMO_NORTE_AMERICANO>, <https://www.academia.edu/165806724/THE_FAILURE_OF_U_S_WARMONGERING_AGAINST_IRAN_AND_THE_DECLINE_OF_AMERICAN_IMPERIALISM> e <https://www.academia.edu/165806836/L_ECHEC_DU_BELLICISME_AMERICAIN_CONTRE_L_IRAN_ET_LE_DECLIN_DE_L_IMPERIALISME_AMERICAIN>, do SlideShare <https://pt.slideshare.net/slideshow/o-fracasso-do-belicismo-dos-estados-unidos-contra-o-ira-e-o-declinio-do-imperialismo-norte-americano-pdf/287113062>, <https://pt.slideshare.net/slideshow/the-failure-of-u-s-warmongering-against-iran-and-the-decline-of-american-imperialism-pdf/287113102> e <https://pt.slideshare.net/slideshow/l-echec-du-bellicisme-americain-contre-l-iran-et-le-declin-de-l-imperialisme-americain-pdf/287113133> e do Linkedin <https://www.linkedin.com/pulse/o-fracasso-do-belicismo-dos-estados-unidos-contra-ir%C3%A3-alcoforado-zcaqf/?trackingId=1p%2FHjl%2F4atQrKq2I8S7PDA%3D%3D>, <https://www.linkedin.com/pulse/failure-us-warmongering-against-iran-decline-american-alcoforado-h21qf/?trackingId=GtlMq9IMh8Pal2Iy1g1HpA%3D%3D> e <https://www.linkedin.com/pulse/lechec-du-bellicisme-americain-contre-liran-et-le-de-alcoforado-nnkrf/?trackingId=XczU%2BvCYFCvkS0yXd0RrnQ%3D%3D>.

 * Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).