Geral São Paulo
“Tá tudo perfeito agora!”: ex-moradora da Favela do Moinho aguarda com ansiedade entrega de sua nova moradia
Família da autônoma Andreza Pracanico é uma das 850 que já deixaram a Favela do Moinho graças ao programa de reassentamento do Governo de SP
21/04/2026 10h01
Por: Redação Fonte: Secom SP

Faltam apenas dois meses para a ex-moradora da Favela do Moinho Andreza Carolina Pracanico, 30 anos, comemorar um sonho acalentado por toda a vida: ter sua casa própria em um local digno, onde possa criar sua filha e cuidar de sua família sem medo. Por enquanto, aguarda esse dia em um apartamento alugado, com os R$ 1,2 mil que recebe de aluguel-social.

A família de Andreza é uma das 850 inscritas no programa de reassentamento do Governo de São Paulo, que completa um ano em abril, cujo objetivo é acabar com a última favela na região central da cidade, garantindo moradia digna às famílias e requalificando o bairro.

Assim como centenas de outros moradores, Andreza chegou ao local por questões financeiras, há cerca de quatro anos. Precisava trabalhar no centro e havia ganho uma bolsa para faculdade na região, e a favela invadida há anos oferecia casas e barracos a preços baixos, embora o ambiente fosse totalmente insalubre.

Entretanto, a chegada dos agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), no ano passado, marcou uma virada na sua vida e na de muitas outras famílias que moravam na favela. “A aproximação do CDHU foi ótima. Todos muito bem educados, tudo muito organizado, conversaram com a gente, sanaram todas as dúvidas. Foi ótimo, uma oportunidade de ter um apartamento no meu nome, regulamentado, de deixar aquela situação na favela. Foi maravilhoso”, afirmou.

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Andreza escolheu um apartamento em construção no feirão montado pela CDHU para os moradores da Favela do Moinho, no bairro que queria, com dois quartos, sala, cozinha e uma vaga de estacionamento, também no centro da cidade. O contrato com o CDHU prevê que o apartamento será entregue finalizado, com piso e pintura interna, pronto para morar. “Nos foi oferecido oportunidades de morar em vários bairros da cidade, mas nós escolhemos ficar aqui no centro. Aqui nós conseguimos resolver tudo a pé, desde mercado, escola, saúde, até mesmo pronto socorro, a menos de 1 km da minha casa”, explicou.

Andreza viveu na Favela do Moinho com o marido e a filha por quatro anos Foto: Divulgação/Governo de SP

Enquanto aguarda o tão esperado dia de pegar a chave e iniciar uma nova vida, ela e seu marido tentam controlar a ansiedade, contando os dias no calendário e fazendo planos para os próximos anos. “Minha filha já escolheu o tema do seu quarto. Já estamos fazendo planos também para mobiliar nossa nova casa, faremos aos poucos”, disse.

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Andreza afirmou que se considera uma pessoa de sorte. “É outra vida, outra perspectiva. Saber que a minha filha vai ter um espaço saudável para brincar, vai ter um local seguro para ficar, é um paraíso”, garante.

Melhor deixar pra trás

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Os quatro anos que viveu na Favela do Moinho não foram fáceis, segundo Andreza. “A infraestrutura era bem complexa. Tivemos alguns incêndios e quando chovia a água chegava na altura da canela, além da proliferação de ratos e do barulho constante do trem [a favela fica entre duas linhas ferroviárias]. Era um local bem delicado para se morar”, explicou.

Segundo ela, sua estratégia para viver e criar uma filha de quatro anos no Moinho era, contraditoriamente, tentar ficar o maior tempo possível longe de casa. “Eu fiz de tudo para que ela ficasse a maior parte do tempo longe dali. A gente ocupava a rotina dela e a nossa de forma que basicamente só vínhamos para dormir”, disse.

A criminalidade no local também preocupava ela e os moradores. “O crime organizado comandava quem entrava e saía. Não mexiam com moradores, mas tínhamos medo. Meu marido chegou a ser barrado, porque andava um pouco mais social. Queriam saber o que ele estava fazendo ali.”

Tudo isso agora faz parte de um passado que Andreza prefere esquecer. ”Melhor deixar tudo isso para trás. Pra mim tá tudo perfeito agora!”, afirmou.

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