Lauro de Freitas, Bahia, 07 de abril de 2026.
Por Fábio Costa Pinto*
Neste 7 de abril, o calendário marca o Dia do Jornalista e o aniversário de fundação da nossa centenária Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em tempos normais, a data seria de celebração da palavra e do papel fundamental da informação na sustentação da democracia. No entanto, para mim, o simbolismo desta data é atravessado por uma indignação profunda e pela urgência inadiável de justiça.
Não há o que comemorar quando o exercício profissional é respondido com uma perseguição sistêmica e deliberada. Não há o que festejar quando a rotina de um jornalista, pautada em mais de três décadas de ética e compromisso público, é submetida a constrangimento ilegal que se esconde em sombras em agências bancárias, farmácias, supermercados, restaurantes, no convívio social, em veículos de transporte por aplicativo 99, etc.
O que venho enfrentando há mais de quatro anos não é apenas um ataque pessoal; é um atentado contra a liberdade de expressão e uma tentativa de interdição social orquestrada. Uma agressão.
A democracia é uma construção frágil que só se mantém de pé com uma imprensa livre. Quando um profissional da comunicação é alvo de monitoramento constante e ameaças que atingem o seio de sua família, é a própria Constituição que está sendo violada. O uso de informações falsas e o assédio psicossocial para destruir reputações são as armas daqueles que temem a transparência dos fatos. Minha trajetória, honrada pelo legado de minha família — Aguiar Costa Pinto e Afrânio Peixoto —, não me permite o recuo.
A educação rígida e os princípios morais que recebi de meus pais, um magistrado e uma artista plástica, são o alicerce que me sustenta diante desta estupidez organizada.
O adoecimento neurológico e a ansiedade impostos a mim, que atingem a minha família, esposa e os meus dois filhos, não serão ignorados. Por isso, este 7 de abril não é apenas um dia de reflexão, mas um marco para a cobrança de reparação e a devida responsabilização criminal de todos os envolvidos neste crime de perseguição. É imperativo que o Estado, por meio do Ministério Público, identifique e puna os responsáveis por este cerco invisível que fere a dignidade humana. Só dói em quem passa.
Minha resistência é a resistência da própria ABI. Só haverá plena democracia quando o monitoramento e o constrangimento contra jornalistas forem punidos com o rigor da lei. Pela minha família, pela minha história e pela liberdade de informar: sigo em busca da justiça e da reparação que a luz da verdade exige.
*Fábio Costa Pinto, jornalista – MTB 33.166/RJ, conselheiro deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e editor do Portal Inteligência Brasil Imprensa (IBI).