Educação Piauí
Uespi desenvolve soluções tecnológicos para Rede Municipal de Saúde de Parnaíba
O município de Parnaíba passa a contar com uma importante iniciativa da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) voltada à modernização da saúde públ...
25/03/2026 16h26
Por: Redação Fonte: Secom Piauí

O município de Parnaíba passa a contar com uma importante iniciativa da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) voltada à modernização da saúde pública por meio da integração entre tecnologia e serviço. Trata-se do PET Saúde – edição Saúde Digital, um projeto de extensão desenvolvido com a participação de estudantes e professores da Uespi, em parceria direta com a rede municipal de Saúde.

A proposta faz parte de um programa do Ministério da Saúde que busca fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da formação interprofissional e da inovação tecnológica. Segundo o professor Doutor Luís Felipe, do curso de Enfermagem da Uespi, em Parnaíba, o projeto se caracteriza, primeiramente, como uma ação extensionista com forte vínculo social. “Dentro da universidade, a gente considera ele como um projeto de extensão, porque tem uma articulação direta com a comunidade e com o serviço”, explica.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
Alunos do PET Saúde Digital em Parnaíba participam de atividades de levantamento de dados nos serviços de saúde. (Foto: Valeria Neves)

Nesta edição, o PET Saúde está alinhado ao programa SUS Digital, iniciativa que incentiva o uso de ferramentas tecnológicas para qualificar o acesso à informação e a gestão dos serviços. “O Ministério da Saúde lançou, em 2025, um edital específico com eixo voltado à saúde digital, alinhado ao SUS Digital. Anteriormente, existia o PET Saúde Equidade, mas essa nova proposta vem com foco direto na transformação digital da saúde”, contextualiza o professor.

Selecionado em um edital nacional que reuniu mais de 80 propostas de instituições de todo o país, o projeto desenvolvido em Parnaíba se destacou pelo caráter interdisciplinar. “Foi uma construção conjunta entre os cursos de enfermagem, odontologia e computação. O edital exigia essa articulação interprofissional, com pelo menos três áreas e, obrigatoriamente, a presença da tecnologia, o que foi fundamental para nossa aprovação”, destaca. A proposta ficou entre as primeiras colocadas na classificação geral. “Ficamos por volta da 24ª ou 25ª posição, o que mostra a competitividade e a qualidade do projeto”, completa.

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Foto: Reprodução/Secom Piauí
Equipe do PET Saúde Digital trabalhando no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a saúde. (Foto: Valeria Neves)

A iniciativa também marca um momento inédito no município. “Tenho certeza de que foi a primeira vez que Parnaíba foi contemplada com esse tipo de projeto. É algo que nos orgulha muito, principalmente pelo volume de investimento envolvido”, afirma. Ao todo, são 60 estudantes bolsistas, além de voluntários, tutores e profissionais da rede de saúde envolvidos. “É um projeto muito grande, com um investimento significativo do Ministério da Saúde”, reforça.

O professor também ressalta o esforço coletivo que possibilitou a aprovação da proposta. “Sem a construção conjunta entre os professores dos três cursos e a participação dos estudantes, não teríamos conseguido. Foi um trabalho integrado, com destaque para a coordenação geral e os docentes envolvidos na elaboração do projeto”, pontua.

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Um dos principais diferenciais da iniciativa está na forma como ela foi concebida. Diferentemente de projetos desenvolvidos inicialmente dentro da universidade para posterior aplicação, o PET Saúde de Parnaíba já nasce integrado ao serviço público. “Desde a construção do projeto, existe a articulação com o município. Foi firmado um termo de cooperação e os profissionais da rede participam diretamente como preceptores e orientadores. Isso faz toda a diferença, porque a gente constrói soluções junto com quem vive a realidade do serviço”, explica.

Na prática, o projeto é organizado em grupos de aprendizagem tutorial, que reúnem professores, estudantes e profissionais da saúde. Ao todo, são cinco grupos, distribuídos em eixos estratégicos como vigilância epidemiológica, doenças crônicas, imunização e gestão da atenção primária, além de um núcleo tecnológico responsável pelo desenvolvimento das soluções digitais.

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Segundo Natan Cunha, estudante do curso de Enfermagem e participante do projeto, um dos maiores desafios enfrentados nos primeiros meses tem sido conciliar a vida acadêmica com a dinâmica interdisciplinar do projeto. “O principal desafio é conseguir se articular com os outros cursos, para que o levantamento de dados, que é esse processo inicial, seja realmente ativado na prática. Precisamos ir aos serviços, conversar com os profissionais e entender a realidade de cada grupo, conciliando horários e métodos entre enfermagem, odontologia e tecnologia”, detalha. Ele ainda complementa a experiência do GT de tecnologia, responsável por oferecer suporte aos demais grupos.

Sarah Cristina, monitora do GT5, explica que o grupo é responsável por articular e apoiar os demais GTs durante a pesquisa. “Dentro desses sete meses de pesquisa, nosso GT ficou responsável por fornecer apoio de pesquisa e acesso aos sistemas utilizados na atenção primária, garantindo que os outros grupos consigam realizar plenamente suas atividades”, afirma.

Kaique, também participante do GT5, complementa que o grupo busca difundir conhecimento entre as áreas trabalhadas no PET – enfermagem, odontologia e tecnologia – e traz segurança na busca de dados já existentes na literatura. A partir disso, repassamos essas informações para os outros GTs, que analisam em conjunto e dão continuidade ao trabalho”. Ele ainda destaca que o GT5 também atua na comunicação com a comunidade, incluindo divulgação do projeto pelas redes sociais, permitindo que a população acompanhe o andamento das atividades e compreenda melhor os objetivos da iniciativa.

Com início em agosto de 2025 e duração prevista de dois anos, o projeto está na fase de diagnóstico situacional. “Nesses primeiros meses, conversamos com os profissionais, conhecemos a realidade e fizemos um levantamento dos principais problemas. Esse diagnóstico é fundamental para que as soluções sejam realmente eficazes”, afirma o professor Luis Felipe.

A partir desse mapeamento, já estão sendo desenvolvidas plataformas digitais que visam agilizar o acesso à informação em saúde. “Hoje ainda existe um atraso no acesso a dados importantes, como os de doenças de notificação compulsória. A nossa proposta é criar ferramentas que deem mais celeridade a essas informações e facilitem o planejamento em saúde”, explica.

Entre as soluções previstas está a criação de uma plataforma com painéis interativos, permitindo que gestores, profissionais e a população acompanhem indicadores de saúde do município. “A ideia é ter um sistema que funcione como um dashboard, onde qualquer pessoa possa acessar e entender a realidade da saúde de forma simples e rápida”, destaca o professor.

No eixo da imunização, o projeto pretende facilitar o acesso da população às informações sobre a vacinação. “Queremos criar uma plataforma que mostre quais vacinas estão disponíveis em cada posto, os horários de funcionamento e a quantidade de doses. Isso evita deslocamentos desnecessários e melhora o fluxo do atendimento”, afirma.

PET-Saúde

O PET-Saúde é uma modalidade do Programa de Educação Tutorial voltada especificamente para a área da saúde. Ele é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, universidades e serviços do SUS. O principal objetivo é aproximar a formação acadêmica da prática real do sistema público de saúde, promovendo a integração entre ensino, serviço e comunidade.

Os grupos do PET-Saúde são compostos por estudantes de diferentes cursos da saúde, orientados por professores e profissionais do SUS, que desenvolvem atividades como projetos de intervenção, ações de educação em saúde, pesquisas aplicadas e atividades de extensão em comunidades. O programa estimula a interdisciplinaridade, o trabalho em equipe e o desenvolvimento de competências práticas e humanas essenciais para o cuidado em saúde.