Política Escândalo
Vereador Hamilton Assis critica relação de ACM Neto com empresas investigadas em escândalo do Banco Master.
Parlamentar do PSOL cobra explicações sobre pagamentos milionários feitos por empresas investigadas.
16/03/2026 14h22
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Assessoria
Foto: Divulgação / Assessoria.

O vereador de Salvador Hamilton Assis (PSOL) criticou as revelações de que uma empresa ligada ao ex-prefeito da capital baiana, ACM Neto, recebeu milhões de reais em pagamentos do Banco Master e da Reag Investimentos. Essas instituições estão no centro de investigações sobre possíveis fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. Para o parlamentar, o caso ganha ainda mais gravidade quando se observa a relação dessas empresas com decisões administrativas da Prefeitura de Salvador.

Um decreto municipal publicado em 2021, já durante a gestão do atual prefeito Bruno Reis, aliado político e sucessor de ACM Neto, garantiu exclusividade ao Banco Master na operação de uma linha específica de crédito consignado voltada a servidores municipais. A medida foi estabelecida pelo decreto nº 33.502, de 4 de fevereiro de 2021, que autorizou que até 10% da margem consignável dos servidores fosse destinada a um produto chamado “linha de crédito rotativo”, associado ao cartão Credcesta.

Segundo informações divulgadas pelo portal UOL, a norma acabou assegurando espaço privilegiado para o banco no sistema de crédito consignado do funcionalismo municipal. O tema voltou ao centro do debate político após revelações publicadas pelo jornal O Globo, com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontarem que empresas do setor financeiro repassaram cerca de R$ 3,77 milhões à consultoria de ACM Neto entre junho de 2023 e maio de 2024.

Os repasses foram feitos à A&M Consultoria Ltda., empresa criada por ACM Neto após deixar a prefeitura de Salvador. Parte dos pagamentos teria sido realizada justamente por empresas que hoje são alvo de investigações da Polícia Federal do Brasil.

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Para Hamilton Assis, o conjunto dessas informações levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos. “Quando vemos empresas ligadas ao sistema financeiro pagando milhões para uma consultoria de um ex-prefeito, ao mesmo tempo em que um banco do mesmo setor teve espaço privilegiado dentro da estrutura de crédito da prefeitura, isso exige explicações muito claras à sociedade”, afirmou o vereador.

O parlamentar também destacou que dados do Coaf indicam que a empresa de ACM Neto, que possui capital social declarado de apenas R$ 2 mil, movimentou valores considerados elevados em relação à sua capacidade financeira declarada.

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“Não se trata apenas de um debate jurídico, mas de transparência na vida pública. Quem pretende disputar o governo da Bahia precisa explicar com clareza suas relações com instituições que aparecem em investigações e que tiveram espaço relevante em políticas da prefeitura”, acrescentou Hamilton.

ACM Neto afirmou, em nota, que os pagamentos se referem a serviços de consultoria formalmente contratados, relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e que não houve qualquer irregularidade. Ele também declarou que, na época dos contratos, não existiam fatos que desabonassem as empresas envolvidas.

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Hamilton Assis, no entanto, defende que o episódio deve ser acompanhado com atenção pela sociedade e reforça a necessidade de total transparência nas relações entre agentes políticos, o sistema financeiro e as decisões administrativas da prefeitura.