A Rede Municipal de Saúde da Capital iniciou a oferta do implante contraceptivo subdérmico, o ‘Implanon’, em algumas Unidades de Saúde da Família (USFs). O método, considerado um dos mais eficazes na prevenção da gravidez, amplia as opções de planejamento reprodutivo disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de João Pessoa.
Com eficácia superior a 99%, o Implanon é comparável à laqueadura e está entre os métodos contraceptivos mais seguros disponíveis atualmente. A aplicação é feita em consultório, por profissional capacitado, com anestesia local, e dura cerca de 15 minutos. Foi a taxa de eficiência que fez com que Izabelle Karine buscasse o método em sua USF. Aos 31 anos e mãe de dois filhos, ela buscava um método seguro e prático, que ofertasse eficácia e duração prolongada.
“Sempre quis optar por um método que não dependesse de lembrar todos os dias, como acontece com a pílula, que eu utilizei em períodos anteriores, porém, não me dava muito bem. Já tenho dois filhos e, pelo menos por enquanto, não está nos nossos planos ter mais, por isso optei pelo Implanon. O processo pra inserção foi bastante tranquilo, fui muito bem orientada de início, passamos por uma espécie de entrevista com a enfermeira, onde ela entende minha necessidade e explica sobre o método antes de efetivamente colocá-lo. Para colocar também foi bem tranquilo, tem anestesia local, então o processo é totalmente indolor. Já estou com mais de 20 dias utilizando e ainda não tive nenhum possível efeito colateral que pode acontecer, como fui orientada”, relata a funcionária pública.
O implante subdérmico está sendo disponibilizado de forma gradual nas unidades de saúde da Capital, de acordo com a formação dos profissionais habilitados para realizar o procedimento. As mulheres interessadas devem procurar sua Unidade de Saúde da Família de referência, onde será realizada uma triagem inicial e o agendamento da inserção do método, de acordo com a disponibilidade do serviço.
Para Izabelle, que colocou o Implanon na USF Cordão Encarnado I, no bairro das Trincheiras, a possibilidade de ter acesso ao implante subdérmico de forma gratuita pelo SUS foi um diferencial. “Eu já conhecia o método há algum tempo e sempre tive interesse, mas pela rede particular tem um custo muito alto. Então, sem dúvida, ter acesso pelo SUS faz muita diferença, porque democratiza um método moderno que nem todas conseguiriam custear”, celebra.
A responsável pelo Departamento de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde, Lívia Falcão, destaca que a oferta do método na rede pública representa um avanço na assistência à saúde feminina e no fortalecimento das estratégias de planejamento reprodutivo.
“Possuímos muitos casos de gestação de alto risco e de óbito materno infantil e agora temos a oferta, na rede pública, de um novo método tão eficaz quanto uma laqueadura e que tem uma duração de até três anos, o que nos permite reduzir esses indicadores. Além disso, proporcionaremos a mesma oportunidade para mulheres que, por exemplo, não podem utilizar métodos contraceptivos à base de estrogênio ou que, muitas vezes não tem interesse de realizar uma laqueadura. A mulher agora terá a possibilidade de utilizar um método contraceptivo mais adequado às suas necessidades”, destaca Lívia Falcão.
Para mulheres que já tiveram acesso ao método na Rede Municipal, o implante representa mais tranquilidade no planejamento da vida reprodutiva. Juliana Maciel realizou a inserção do implante na USF Vila Saúde, em Mangabeira VIII, conta que a experiência trouxe mais segurança no cuidado com a própria saúde.
“Não pretendo ter filhos tão cedo, além disso, estou fazendo um tratamento de saúde com um medicamento que pode causar má formação fetal e precisava de um método contraceptivo seguro e eficaz. A pílula, além de eu precisar lembrar todos os dias, não é tão recomendada por eu ter alto risco para câncer de mama, devido a minha mãe ter tido. Quando soube que estava disponível na unidade de saúde, procurei a equipe e fui muito bem orientada. A colocação foi rápida e hoje me sinto mais tranquila para seguir meu tratamento e planejar meu futuro”, conta a usuária.
O ‘Implanon’ é um método contraceptivo reversível de longa duração (LARC), e consiste em uma pequena haste flexível, inserida sob a pele do braço, que libera continuamente o hormônio etonogestrel (progesterona). O implante tem duração de até três anos e, durante esse período, não há necessidade de intervenções. Após esse tempo, o dispositivo deve ser retirado e, caso a mulher deseje continuar utilizando o método, um novo implante pode ser inserido pelo próprio SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.