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Em projeto inédito, Sanepar abre edital para ampliar distribuição de lodo para a agricultura
Projeto-piloto inicialmente vai abranger municípios da região Noroeste do Paraná. Por meio deste edital, donos de pequenas, médias e grandes propr...
13/03/2026 08h35
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) apresenta uma oportunidade inovadora e inédita a produtores rurais da região Noroeste que desejam se beneficiar com o uso do lodo agrícola em suas lavouras. Foi lançada nesta quinta-feira (12) a 1ª chamada do Edital de Credenciamento para Uso de Biossólidos na modalidade "Reserva". Por meio deste edital, donos de pequenas, médias e grandes propriedades rurais poderão solicitar e garantir, mediante pagamento de Valor Básico de Disponibilidade (VBD) + Transporte, a utilização do biossólido, denominado de SaneBio.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destacou o trabalho de criação de receitas acessórias pela empresa. “Essa iniciativa transforma um passivo da empresa em um ativo. Esse projeto de disponibilização para agricultura já é desenvolvido há um bom tempo pela Sanepar, mas a partir de agora passamos a oferecer uma regularidade de reserva para os interessados, gerando uma previsão de receitas para a empresa que será investida no desenvolvimento de novas tecnologia e na modicidade das tarifas para os clientes”, declarou.

“Essa inovação foi estudada e aplicada para facilitar e permitir maior previsibilidade ao agricultor no uso do lodo tratado da Sanepar e agilizar esse processo. A Companhia vai continuar disponibilizando o biossólido para pequenos produtores de forma gratuita por meio do Programa de Destinação do Lodo. Porém, nesta nova modalidade Reserva – VBD, o agricultor terá a garantia da disponibilização do biossólido na quantidade e no prazo necessários para atender as suas necessidades, por um valor quase simbólico”, esclareceu o diretor-presidente da Companhia.

Presente no lançamento do edital, o gerente de sustentabilidade do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Amauri Ferreira, fez questão enaltecer os envolvidos no projeto. “O Paraná é referência na agricultura para o Brasil e cada vez mais vamos resgatando os valores da sustentabilidade. Por isso, parabenizo os técnicos envolvidos nesse projeto que transforma um resíduo em um produto sustentável e de ótima qualidade para uso na agricultura do nosso Estado”, disse.

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Nesta primeira etapa do projeto, serão produzidos SaneBio nas unidades da Sanepar de Campo Mourão, Cianorte, Maringá, Nova Londrina, Paiçandu, Paranavaí e Umuarama. Mas o solicitante poderá também transportar e utilizar em outras cidades, incluindo até o estado de São Paulo.

COMO SOLICITAR – A solicitação deve ser feita direto no site da Sanepar . O credenciamento para a 1ª chamada dos lotes de SaneBio já disponíveis pode ser feito até o dia 10 de abril. A Sanepar disponibiliza um e-mail para tirar dúvidas e dar mais informações sobre o programa: sanebio@sanepar.com.br. Todas as informações sobre documentação exigida, tipos de lodo, valores por tonelada e mais detalhes do processo estão no edital.

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O lodo agrícola é uma alternativa com alta performance, custo bastante competitivo e desempenho igual ou superior a biofertilizantes de mercado. Ao solicitar o lodo agrícola na modalidade Reserva – VBD, o produtor garante a reserva da quantidade e da data em que poderá contar com este insumo, podendo escolher a melhor logística de transporte e o tipo mais adequado de biossólido para a cultura que ele cultiva.

“O Valor Básico de Disponibilidade (VBD) refere-se ao valor a ser pago pelo solicitante calculado com base na tonelagem de biossólido disponibilizado e definido por meio de projeto agronômico, também elaborado pela Sanepar. O volume mínimo de solicitação é de 50 toneladas e o volume máximo não pode ser superior a 60% da quantidade disponibilizada em cada lote”, comentou o especialista Charles Carneiro, da Diretoria de Inovação e Novos Negócios da Sanepar.

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Para credenciar-se, o solicitante deve preencher formulário no site com dados pessoais, culturas em que deseja utilizar o produto, quantas toneladas pretende aplicar, tamanho em hectares da área que deve receber o insumo, tipo de transporte (se próprio, terceirizado ou via contrato com a Sanepar). É necessário, também, anexar análise de fertilidade do solo da área solicitada e marcar no Google Earth o local aproximado da propriedade e da área que receberá o biossólido, incluindo a marcação de residências e poços existentes na área.

“A recomendação agronômica, o projeto agronômico, a pesagem e o carregamento são serviços realizados pela Sanepar. Pedágios e aplicação na propriedade são responsabilidades do solicitante. Quanto ao transporte, o credenciado pode solicitar à Sanepar o transporte do biossólido, mediante pagamento, ou pode optar por transporte próprio ou contratado, desde que o veículo seja licenciado para tal atividade, compatível e tenha autorização ambiental para transporte de resíduo sólido não perigoso, de acordo com as normas técnicas de segurança”, explicou o engenheiro agrônomo Marco Aurélio Knopik, responsável técnico da Sanepar.

Ao admitir a solicitação, a Sanepar verifica se todos os requisitos exigidos (baseados nas exigências técnicas agronômicas e das legislações de órgãos ambientais) foram seguidos e inicia o processo de análise e aprovação. Técnicos da Companhia avaliam, por exemplo, se a área definida é apta a receber o biossólido e se a quantidade pretendida está adequada. Após o encerramento do período de inscrições, em até 20 dias o solicitante terá retorno da Sanepar.

Após receber via e-mail a conta serviço (boleto), o solicitante terá um prazo de até 10 dias corridos para fazer o pagamento e, emitida a autorização de coleta, o biossólido deverá ser retirado em até 15 dias em uma das Unidades de Gerenciamento de Lodo indicadas. Após o término do transporte, todo o volume de lodo precisa ser aplicado no solo em até 30 dias, no máximo.

SANEBIO E VALORES– O edital que oportuniza a reserva do biossólido será realizado em períodos específicos de, em geral, 30 dias corridos, conforme divulgação no site da Sanepar para cada chamada. As solicitações não contempladas, mas que atenderem a todos os critérios de elegibilidade, automaticamente serão posicionadas em cadastro de reserva para lotes subsequentes.

Os valores dos cinco tipos de biossólido foram definidos de acordo com o teor de umidade, teores de nutrientes e intensidade de tratamento (mais ou menos cal). A disponibilidade de novos lotes, os períodos de credenciamento e os prazos para solicitação sempre serão informados no site da Sanepar.

RECONHECIMENTO– A Sanepar é reconhecida e citada no Brasil e em outros países como exemplo pelo seu engajamento com os princípios da produção mais limpa, e também por ter transformado radicalmente sua gestão de lodo. A Companhia deu um salto estratégico expandindo suas rotas de destinação do lodo, em especial nos últimos anos.

“Até 2023, a Companhia tinha majoritariamente apenas três opções de destinação do lodo: reciclagem agrícola, biodigestão e aterro sanitário. Com pesquisa, melhorias de gestão e desenvolvimento operacional nessa área, em 2026 já são dez estratégias postas em escala, que agora somam-se a esta valoração de uma das mais importantes rotas – a agricultura –, garantindo e expandindo as possibilidades de destino correto e adequado ao lodo de esgoto”, explicou o diretor de Inovação e Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden Junior.

Apenas nos anos 2024 e 2025, a Sanepar destinou cerca de 60 mil toneladas de lodo higienizado a 315 agricultores paranaenses, promovendo a correção do solo e o aporte de nutrientes para culturas como soja, milho, trigo e café, fazendo do Paraná o estado com maior aplicação dessa técnica no País.

A destinação final do material proveniente do processo de tratamento do esgoto doméstico ainda é um dos maiores desafios do setor de saneamento básico. A produção desse material é diretamente proporcional à expansão e eficiência dos sistemas de tratamento. No ano passado, o gerenciamento de quase 300 mil toneladas de lodo úmido (0,5 a 99% ST) geradas nas 269 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da Sanepar exigiu da Companhia um gasto de mais de R$ 60 milhões.