A quadra da Escola Municipal Ida Valmont foi palco, nesta terça-feira (10), de um importante encontro voltado para o fortalecimento da educação inclusiva no município. Organizado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), por meio do Departamento de Educação Especial, o evento reuniu cerca de 180 profissionais, entre mediadores, professores de apoio e docentes das Salas de Recursos e do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
A formação, que abrangeu profissionais tanto da zona urbana quanto do campo, teve como eixo central a “Pirâmide da Aprendizagem”. O objetivo foi capacitar os educadores para entenderem que o processo de ensino vai muito além da sala de aula convencional, exigindo uma base sensorial e motora sólida antes de se chegar à alfabetização.
Teoria e Prática: O Caminho da Aprendizagem
Thais Mendes, Diretora do Departamento de Educação Especial, explicou que a programação foi dividida em dois momentos distintos. Pela manhã, no prédio do CEEJA (Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos) Tereza Donato de Araújo, os participantes focaram na teoria sobre como o sistema nervoso processa o conhecimento. Já no período da tarde, a quadra da Escola Ida Valmont transformou-se em um laboratório prático.
“Estamos trabalhando com o movimento do corpo e a criação de jogos pedagógicos. O aluno não pode pular etapas; primeiro trabalhamos o sensorial e o motor para, depois, inseri-los na aprendizagem da escrita e da leitura”, destacou Thais. Segundo ela, as atividades adaptadas são inclusivas para todos os públicos, desde alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) até aqueles com paralisia cerebral, respeitando os sentidos como tato, paladar, olfato e o sistema vestibular.
A Visão de Quem Está na Ponta
Para os professores que atuam diretamente com os alunos, a formação foi um momento de “voltar a ser aluno” para entender melhor as necessidades das crianças. Júlio César Chaves, professor cadeirante da Sala de Recursos na EMEF Pedro Marinho, ressaltou o valor lúdico da capacitação. “É muito aprendizado porque, além de aprender, você está brincando. São brincadeiras do dia a dia que chamam a atenção do aluno e que vamos levar para a prática em sala de aula”, afirmou o docente de 35 anos.
Marta Pereira, formadora de Educação Especial, reforçou que a base sensorial consolidada é o que evita dificuldades futuras na lateralização e percepção dos alunos. “A proposta é que os professores vivenciem na prática o que o aluno com deficiência sente e precisa desenvolver”, pontuou.
Impacto na Zona Rural e Autonomia
A abrangência do evento também alcançou escolas do campo. Vanessa Miranda, professora do AEE na Escola Nagib Mutran, localizada na Vila Capistrano de Abreu, destacou que o foco na motricidade é essencial para a autonomia dos estudantes.
“Essa parte motora é fundamental para o raciocínio e para a vivência do aluno fora da escola. O que aprendemos aqui será replicado não apenas na Nagib Mutran, mas também em outras unidades como a São Pedro e a Vila União”, explicou Vanessa, reforçando o compromisso de levar o conhecimento técnico para as comunidades mais distantes.
Construção de jogos pedagógicos
Além das orientações teóricas, as professoras formadoras Cinthia Ferreira, Dayele Lima e Maíra Nair foram as responsáveis por conduzir as oficinas práticas que deram vida aos materiais pedagógicos. Sob a supervisão do trio, os participantes confeccionaram recursos como o “Jogo da Memória Tátil”, feito com papelão e diferentes texturas, e o kit “Explorando a Lateralidade com as Cores”, utilizando EVA e blocos de montar. As formadoras também orientaram atividades de “Ginástica para os Dedinhos” com prendedores, focando no movimento de pinça e na precisão motora, essenciais para o desenvolvimento da escrita.
O encerramento da formação prática contou com um Circuito Psicomotor de Aventura, planejado pelas formadoras para trabalhar a coordenação motora global. Utilizando materiais simples como cones, bambolês e macarrão de piscina, as professoras demonstraram como realizar o aquecimento, sequências de cores com bolinhas e copos, além de dinâmicas de corrida e amarelinha adaptada.
Segundo as formadoras, essas práticas são fundamentais para fortalecer o controle do tronco, a consciência corporal e o alinhamento dos alunos, preparando-os fisicamente para os desafios do aprendizado em sala de aula.
O evento encerrou-se com a produção de instrumentos e jogos pedagógicos que serão utilizados nas salas de recursos de todo o município, garantindo que a teoria da pirâmide da aprendizagem se transforme em resultados reais para a inclusão escolar.
Texto: DIvulgação Semed
Fotos: Divulgação Semed
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