Geral Verão Maior Paraná
Em cuidados paliativos, fã realiza sonho de conhecer Gian & Giovani no Verão Maior
Luciana Vieira, de 43 anos, tem duas síndromes genéticas raras que a tornam propensa a desenvolver diversos tipos de câncer. Ela é fã dos artistas...
01/02/2026 11h37
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Aproveitar a vida ao máximo e realizar sonhos. Esse tem sido o mantra de Luciana Vieira, de 43 anos, que tem duas síndromes genéticas raras que a tornam propensa a desenvolver diversos tipos de câncer. Atualmente em cuidados paliativos, Luciana pôde realizar um de seus sonhos neste sábado (31) durante o Verão Maior Paraná: conhecer de perto os ídolos Gian & Giovani, de quem é fã desde criança e que a ajudaram, inclusive, em uma campanha que fez para arrecadar recursos.

Uma das condições de Luciana é a síndrome de Li-Fraumeni (SLF), uma desordem genética rara que causa uma predisposição de alto risco para diversos tipos de câncer. A outra é a síndrome de Lynch, ou câncer colorretal hereditário não polipose (HNPCC), que também aumenta o risco de problemas oncológicos.

Por se tratar de condições genéticas, que passam de pais para filhos, Luciana perdeu vários parentes para o câncer, inclusive o pai e a mãe, com quem aprendeu a gostar de Gian & Giovani ainda na infância. Na época, a família não sabia o que os faziam predispostos a desenvolver a doença. Foi quando a filha, hoje com 18 anos, teve leucemia que ela descobriu as síndromes, e iniciou uma luta para que ela se curasse e não voltasse a desenvolver a doença.

É aí que os cantores sertanejos que ela ouvia desde criança entram na história. “Desde 2015 eu venho combatendo essa situação do câncer. Minha filha também tinha a mesma síndrome, e ela precisava de um transplante de células-tronco”, conta.

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“Eu já era fã deles, e nesse período fiz uma carta e um vídeo que publiquei no Instagram e compartilhei com a equipe de produção do Gian & Giovani. Eles apoiaram tanto financeiramente como emocionalmente para a gente conseguir fazer esse tratamento”, explica. “Hoje ela está curada, tem seis anos que ela fez o transplante. Eu sou paciente paliativa em estágio 1, mas era um sonho. Eu não queria morrer sem agradecer a eles pessoalmente”.

O encontro com os artistas, que tocaram no sábado no palco do Verão Maior em Pontal do Paraná , no Litoral do Estado, foi marcado por muita emoção e gratidão, e foi difícil conter as lágrimas.

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“Não podia deixar de agradecer. Minha mãe não pode estar aqui para viver esse momento, mas sei que ficou feliz onde quer que ela esteja. Hoje comemoro que a minha filha quebrou o ciclo, ela não vai desenvolver as síndromes. E tem a mão deles nessa conquista”, celebra Luciana.

CUIDADOS PALIATIVOS— Por causa da predisposição genética, Luciana já teve câncer de boca, câncer de mama e intestino. Hoje, trata um câncer raro no pericárdio, membrana que envolve o coração. Ela é paciente oncológica do Hospital Erasto Gaetner, em Curitiba, e faz tratamentos experimentais no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

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Ela está na fase 1 do tratamento paliativo, período inicial em que o paciente descobre uma doença grave e inicia os cuidados para controlar os sintomas, diminuir os desconfortos, ganhar autonomia e qualidade de vida. “As pessoas acham que o paliativo é aquele tratamento em que você fica lá na cama esperando a morte. Não é isso, pelo contrário, a gente quer viver com qualidade de vida”, diz.

“Eu não sei quanto tempo tenho de vida, mas é um dia de cada vez. Eu amo muito viver, tenho muita vontade de continuar viva e realizar os meus sonhos”, fala. “Há anos eu não vinha para a praia, então vim hoje. Tenho vontade de voar de parapente, um dia vou tentar. Tem muitos lugares de Porto Alegre que queria conhecer e estou conseguindo, também algumas pessoas de quem me aproximei porque se sensibilizaram com minha história”.

NOVO CICLO- Luciana engravidou e hoje tem outro filho, de 6 anos de idade. “A gente encerrou o ciclo da síndrome na minha filha, porque foi com ela que descobrimos essa condição. Eu perdi meus pais, avós, tios e primos para o câncer. Em mim eu não pude mudar a história, mas ela vai ter uma vida diferente, uma vida sem câncer”, conta emocionada.

Todo o tratamento da filha, inclusive o transplante de células-tronco, foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A gente fez o primeiro transplante dela em Porto Alegre em 2016, mediado pelo Governo do Paraná. Meu outro filho nasceu em 2019, então fizemos mais um naquele ano”, conta.

O segundo filho, hoje com 6 anos, também não irá desenvolver as síndromes. Durante o processo de fertilização in vitro, foi feito um Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (PGD), que permite a análise do DNA dos embriões para identificar doenças genéticas antes de fazer a transferência do embrião para o útero. “A condição vem no gene TP53, e ele não tem a síndrome, então não vai ter câncer. A gente mudou realmente a nossa história”.