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Silvicultura impulsiona produção na agroindústria e no campo
Florestas plantadas vão além da celulose e do carvão vegetal e colaboram para a segurança alimentar
29/01/2026 12h03
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais

A relação entre florestas plantadas e produção de alimentos, embora não pareça evidente, é mais presente na rotina dos brasileiros do que se imagina. Além de fornecer matéria-prima para celulose, papel e carvão vegetal, as florestas plantadas desempenham papel estratégico na agroindústria como fonte de energia e insumo produtivo, garantindo alimentos com qualidade e sustentabilidade na mesa dos consumidores. Em Minas, estado com a maior área de florestas plantadas do Brasil, com 2,3 milhões de hectares, o fortalecimento da cadeia da silvicultura é uma das prioridades do Governo estadual, com foco também na contribuição para a segurança alimentar.

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) , por meio da Superintendência de Fomento Florestal, desenvolve diferentes ações para impulsionar a cadeia. O trabalho tem como foco a ampliação das florestas produtivas, também chamadas de “florestas pensadas”, em especial, nas áreas de pastagem degradadas, colaborando para recuperação ambiental.  Entre as ações, estão o apoio e fomento aos produtores florestais, a busca de parcerias públicas e privadas e a interlocução para soluções de entraves na produção. 

“O uso da madeira advinda das florestas plantadas é fundamental para garantir a segurança agroalimentar, preconizada pelos governantes globais, já que muitos alimentos que chegam à nossa mesa dependem da madeira em alguma fase do seu processo produtivo”, diz a superintendente de Fomento Florestal da Seapa, Taiana Arriel.

Alexandre Amaral / Emater-MG

Segundo Taiana Arriel, cresce o uso da madeira de reflorestamento como fonte energética e insumo produtivo na agroindústria, em especial a que produz alimentos. “A madeira e seus derivados, especialmente o cavaco de eucalipto e a lenha, são utilizados como biomassa para geração de energia térmica em laticínios, granjas, frigoríficos, usinas de beneficiamento, fábricas de ração animal, entre outros”, enumera.

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O cavaco é usado no aquecimento de caldeiras, pasteurização do leite, secagem de grãos, esterilização de equipamentos e climatização de granjas, substituindo combustíveis fósseis e reduzindo emissões de carbono na atmosfera. No campo, é aplicado como cobertura de solo, no controle de erosão e na manutenção da umidade, beneficiando a produção agrícola e pecuária.

“Outro uso importante está nas camas de animais em granjas, aviários e estábulos. O cavaco garante absorção, conforto térmico e higiene, melhorando o bem-estar e a produtividade de aves, bovinos e equinos. Também é empregado na produção de carvão vegetal industrial e no ajuste de caldeiras de carbonização, atendendo indústrias alimentícias que utilizam calor controlado”, completa a superintendente.

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Avicultura

Empresas da região Centro-Oeste de Minas, referência na produção de frango e outros alimentos, destacam-se como grandes consumidoras de madeiras de florestas plantadas, para mover as suas engrenagens. O uso começa nos aviários, onde as lenhas abastecem as fornalhas que aquecem os galpões. “Nas duas primeiras semanas de vida das aves, a lenha de reflorestamento é imprescindível para garantir um ambiente apropriado aos animais, antes de serem levados para o abate”, diz Ronam Antônio da Silva, líder de avicultura da JMC Agroindustrial, em São Sebastião do Oeste.

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Taiana Arriel diz que uma das agroindústrias na região apresenta uma demanda de madeira de cerca de 180 m³ por dia, com previsão de chegar a 560 m³ em 2030. “A empresa adquire a lenha e realiza o processamento no próprio empreendimento, transformando-o em cavaco. Esses dados evidenciam o papel estratégico do setor florestal e reforçam a necessidade de políticas públicas que fortaleçam esta cadeia produtiva”, destaca.

O uso da lenha pelas agroindústrias pode ser medido pela produção da Madeiras Mata Verde, empresa que mantém floresta de eucalipto e usina de tratamento da madeira, em Itapecerica.  São cerca de 1.500 ha plantados, de onde são colhidos, por mês, 2.000 m3 de madeira, lenha e carvão vegetal das florestas próprias. Enquanto o carvão vai para as siderúrgicas, a madeira tratada vai para a construção civil, agricultura e pecuária. “A lenha, vendida para as granjas e abatedouros da região, chega a corresponder a 40% da produção”, diz o fundador da empresa, Paulo Moraes.

Silvicultura em Minas

As florestas plantadas são a maior cultura agrícola de Minas, superior a 2 milhões de hectares. Dos 853 municípios mineiros, 811 deles desenvolvem a silvicultura. Minas detém 22% da área total de florestas plantadas no Brasil, que é de 10,3 milhões de hectares.

A agroindústria florestal do estado protege uma área de vegetação nativa equivalente a 40 vezes o tamanho de Belo Horizonte. Cada mineiro possui, em média, 187 árvores plantadas pela agroindústria florestal.