Internacional CONSEQUÊNCIAS
A CONTRARREVOLUÇÃO COMERCIAL DE TRUMP, SEUS IMPACTOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS GLOBAIS.
Em essência, a contrarrevolução comercial de Donald Trump representa um movimento de protecionismo agressivo e nacionalismo econômico. Leia mais!
27/01/2026 22h48
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
Imagem Ilustrativa

Este artigo tem por objetivo apresentar os impactos globais e nos Estados Unidos e as prováveis consequências sobre o sistema de comércio internacional resultantes da contrarrevolução comercial desencadeada pelo Presidente Donald Trump dos Estados Unidos. A "Contrarrevolução Comercial" foi desencadeada por Donald Trump para reverter o processo de globalização e livre-comércio predominante desde o fim da Segunda Guerra Mundial que estaria sendo benéfico para a China e prejudicial aos interesses dos Estados Unidos. Em essência, a contrarrevolução comercial de Donald Trump representa um movimento de protecionismo agressivo e nacionalismo econômico, que contrasta diretamente com o sistema multilateral e as cadeias globais de valor estabelecidas nas últimas décadas de globalização produtiva, comercial e financeira. 

Neste artigo, são apresentados: 1) O Princípio da Contrarrevolução Comercial de Donald Trump; 2) As Principais Ferramentas e Ações implementadas por Donald Trump; 3) Os Impactos Globais e nos Estados Unidos da Contrarrevolução Comercial de Donald Trump; e, 4) As Prováveis Consequências Globais Resultantes da Contrarrevolução Comercial de Donald Trump.

1.     O Princípio da Contrarrevolução Comercial de Donald Trump

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A política comercial de Trump se baseia na filosofia do "America First" (América Primeiro) e tem como pilares:

Pilares

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Descrição

Balanças Comerciais "Justas"

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Trump argumenta que os grandes déficits comerciais dos

Estados Unidos (como com a China) representam a "perda"

de riqueza e empregos americanos. Seu objetivo é

buscar a "reciprocidade", igualando as tarifas de importação

de outros países às dos Estados Unidos (que geralmente

são mais baixas).

"Desglobalização"

A ideia de que as empresas americanas devem "trazer o produto

de volta para casa" (Bring the supply chain home), incentivando

a produção doméstica e reduzindo a dependência de cadeias de

suprimentos globais, especialmente na China.

Protecionismo Tarifário

Uso do tarifaço (tarifas alfandegárias elevadas) como

ferramenta primária de política externa e econômica,

em vez de negociações multilaterais (como as promovidas

pela OMC).

Enfraquecimento da OMC

Enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio

(OMC), por considerá-la ineficaz ou injusta para os

interesses americanos.

2.     As Principais Ferramentas e Ações implementadas por Donald Trump 

As ações de Trump foram marcadas por rupturas com acordos e imposição unilateral de barreiras: 

2.1- A Guerra Comercial Estados Unidos-China

·       Tarifaço Massivo: Trump impôs tarifas substanciais (chegando a mais de 100% em alguns casos) sobre bilhões de dólares em produtos chineses, sob a alegação de práticas comerciais desleais, roubo de propriedade intelectual e subsídios estatais.

·       Retaliação: A China respondeu com tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, especialmente agrícolas (como soja), intensificando a Guerra Comercial e gerando tensões globais. 

2.2- Medidas Protecionistas Generalizadas

·       Tarifas de Aço e Alumínio: Trump impôs taxas sobre importações de aço (25%) e alumínio (10%) de quase todos os países (incluindo Brasil, Canadá e União Europeia) sob o argumento de segurança nacional.

·       Renegociação de Acordos: Trump pressionou pela renegociação de acordos de livre-comércio, como o NAFTA (substituído pelo USMCA, com novas regras para o setor automotivo, por exemplo), e ameaçou impor tarifas sobre veículos importados.

2.3- Ameaça de Tarifa Universal

·       Tarifa "Recíproca": Trump implementou uma tarifa universal (como a de 10% sobre todas as importações) para forçar parceiros comerciais a reduzir suas próprias barreiras ou a negociar novos acordos, criando grande incerteza no comércio internacional.

3.     Os Impactos globais e nos Estados Unidos da Contrarrevolução Comercial de Donald Trump 

Os impactos da "contrarrevolução" comercial de Donald Trump foram sentidos em todo o mundo e nos Estados Unidos: 

Impactos

Descrição

Fragmentação das Cadeias Globais

As empresas foram forçadas a repensar suas cadeias de suprimentos

para evitar as tarifas, levando a uma potencial fragmentação do

sistema de produção global.

Redirecionamento do Comércio

Houve um redirecionamento de fluxos comerciais. Por exemplo,

países do Sudeste Asiático e México se beneficiaram ao capturar parte

da produção que saiu da China para os Estados Unidos.

Aumento de Preços e Inflação

O aumento das tarifas encarece os produtos importados para o

consumidor americano, contribuindo para a pressão inflacionária 

nos Estados Unidos.

Incerteza e Desaceleração

A imprevisibilidade da política tarifária gerou grande incerteza 

para os investidores e impactou negativamente o crescimento do

comércio global.

Retaliação e Conflito

A imposição de tarifas levou a retaliação por parte dos parceiros

comerciais, resultando em perdas para setores exportadores

americanos (como o agronegócio).

4.     As Prováveis Consequências Globais Resultantes da Contrarrevolução Comercial de Donald Trump. 

Pelo exposto, a "Contrarrevolução Comercial" de Trump é uma tentativa radical de desmontar o consenso pós-Guerra Fria sobre o livre-comércio desencadeado pelo processo de globalização produtiva, comercial e financeira, que prioriza a produção local e o equilíbrio comercial bilateral acima das regras multilaterais e da eficiência das cadeias globais. As prováveis consequências resultantes da contrarrevolução comercial de Trump foram delineadas pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, expostas no artigo “The world is in a new age of variable geometry, says Mark Carney” (O mundo está numa nova era de geometria variável, afirma Mark Carney), publicado pelo The Economist de 12/11/2025 (https://www.economist.com/the-world-ahead/2025/11/12/the-world-is-in-a-new-age-of-variable-geometry-says-mark-carney?). 

Neste artigo, Mark Carney afirma que o sistema internacional foi rompido. O crescente mercantilismo dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump e a paralisia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contribuíram para o colapso da ordem econômica mundial pós-Guerra Fria de instituições multilaterais, regras e convenções. A segurança, a prosperidade e a resiliência que o antigo sistema proporcionava dependiam fortemente do compromisso de seu núcleo principal, os Estados Unidos da América. À medida que essa nação indispensável abandonou seus compromissos com as instituições globais, a fragilidade do sistema pós-Guerra Fria foi revelada.

Para fazer frente a esta nova situação do comércio internacional, Mark Carney afirma no artigo acima citado que uma nova rede de cooperação está começando a surgir caracterizada por coalizões dinâmicas, sobrepostas e pragmáticas, construídas em torno de interesses compartilhados e, ocasionalmente, valores compartilhados, em vez de instituições compartilhadas como anteriormente com a OMC. Mark Carney afirma que tempos difíceis exigem respostas pragmáticas. Países que normalmente não seriam considerados "com interesses semelhantes" cooperarão cada vez mais onde compartilharem objetivos e valores específicos em questões específicas. Segundo Mark Carney, a nova arquitetura climática poderia ser uma amálgama de regras comerciais ancoradas na União Europeia, padrões tecnológicos centrados na China e na Índia e soluções baseadas na natureza com base no Brasil.

Mark Carney afirma que, em vez de um sistema comercial único e reformado, baseado em regras como as da OMC, um mosaico de acordos parciais e arranjos criativos de "acoplamento" entre blocos poderia se desenvolver no futuro. Uma opção seria reunir dois dos maiores blocos comerciais do mundo, a União Europeia na Europa e o CPTPP (Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica), centrado na Ásia. Chegar a um consenso para reformar a OMC pode levar décadas. Reunir grupos de países que compartilham a crença no livre comércio fundamentado em padrões básicos para o trabalho, o meio ambiente e a soberania de dados será uma maneira mais rápida de progredir.

Mark Carney afirma no artigo acima citado que, embora apresente riscos de fragmentação, duplicação e potenciais desigualdades para aqueles que ficarem de fora desses arranjos criativos de "acoplamento" entre blocos, tais preocupações devem ser superadas pelos benefícios de velocidade, adaptabilidade e impacto. Essas coalizões podem, em última análise, provar-se mais resilientes a choques futuros do que o atual sistema internacional de comércio. Mark Carney conclui que não devemos ansiar por voltar ao que era antes. Devemos nos concentrar em construir algo melhor. O crepúsculo do multilateralismo do passado será seguido pela ascensão do plurilateralismo do futuro quando os Estados nacionais, que tecerão novas redes e construirão alianças pragmáticas, estarão em melhor posição para prosperar nesta nova era.

Para assistir o vídeo, acessar o website https://www.youtube.com/watch?v=TihxpH9VF1s 

Para ler o artigo de 5 páginas em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/148039652/A_CONTRARREVOLU%C3%87%C3%83O_COMERCIAL_DE_TRUMP_SEUS_IMPACTOS_E_SUAS_CONSEQU%C3%8ANCIAS_GLOBAIS>, <https://www.academia.edu/148050578/TRUMPS_COMMERCIAL_COUNTER_REVOLUTION_ITS_IMPACTS_AND_ITS_GLOBAL_CONSEQUENCES> e <https://www.academia.edu/148063002/LA_CONTRE_REVOLUTION_COMMERCIALE_DE_TRUMP_SES_IMPACTS_ET_SES_CONSEQUENCES_MONDIALES>, do SlideShare <https://pt.slideshare.net/slideshow/a-contrarrevolucao-comercial-de-trump-seus-impactos-e-suas-consequencias-globais-pdf/285455816>, <https://pt.slideshare.net/slideshow/trump-s-commercial-counter-revolution-its-impacts-and-its-global-consequences-pdf/285455937> e <https://pt.slideshare.net/slideshow/la-contre-revolution-commerciale-de-trump-ses-impacts-et-ses-consequences-mondiales-pdf/285456021> e do Linkedin <https://www.linkedin.com/pulse/contrarrevolu%C3%A7%C3%A3o-comercial-de-trump-seus-impactos-e-suas-alcoforado-oehtf/?trackingId=siJf3B9ZP7EWimkTnMEPxg%3D%3D>, <https://www.linkedin.com/pulse/trumps-commercial-counter-revolution-its-impacts-alcoforado-ipohf/?trackingId=Tz%2FcJFO2KzxODEkNUZr4VA%3D%3D> e <https://www.linkedin.com/pulse/la-contre-revolution-commerciale-de-trump-ses-impacts-alcoforado-6wj1f/?trackingId=OOzT1kU8FfRxbwdGRuaOJw%3D%3D>.

  • Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela a Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).
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