Especiais Sul da Bahia
Vai uma jaquinha?
Crônica de Domingo - PALOMA AMADO
30/11/2025 14h38 Atualizada há 3 meses
Por: Redação Fonte: De Paloma Jorge Amado
Foto: Divulgação

Ói eu aqui comendo uma jaquinha. Meu cenário não poderia ser mais lindo: O mar de Ilhéus, visto a partir de Jardim Atlântico, hotel adorável onde já me hospedei antes. Por puro acaso e dengo estou no quarto Gato, indicado por um azulejo de Eckemberg, artista que adoro.

Vim de São Paulo para Ilhéus diretamente. Quer dizer, vim da Exposição Amados Jorge e Zélia, na Caixa Cultural, onde minha tarefa, doce tarefa, era guiar os interessados pelas fotos, textos, sussurros, segredos que mostram o amor que uniu o casal Amado por mais de 50 anos. É uma linda mostra que tem minha curadoria junto com Rose Lima, uma craque. Tive a alegria de encontrar muitos leitores das crônicas domingueiras, e é sempre muito bom abraçar quem é uma presença constante em nossas vidas. Adriana Mani me levou um livro de presente, escreve sobre o avô e seu amor pela literatura de mamãe. O abraço em Dea, que delícia... Pura emoção. Uma multidão de criancinhas de 5 anos de repente invade a sala, Kauê, um loirinho corre para mim e me abraça, uma lindeza! E se isso fosse pouco, minha filha Mariana e seu marido André vieram da fazenda para estar comigo. Juntos descobrimos um restaurante indiano maravilhoso na Alameda Jaú, altura de Haddock Lobo. Recomendamos o Samosa & Company. Não vou mentir para ser porreta, a véinha cansou. Com mais um livro de Valter Hugo Mãe na mão, embarquei para Ilhéus, minha terra.

Sim!!!! Sou ilheense. Em tempos de xenofobia exacerbada, coisas horríveis acontecendo com brasileiros em Portugal, por exemplo, imaginem a minha situação tendo nascido em Praga, esta belíssima cidade, capital da República Tcheca, e sendo brasileira. Brasileira sem estado, sem cidade... Você não pode porque não nasceu aqui, ouvi uma vez de um tal Ivan. Pois... A cidade de Ilhéus e a cidade do Salvador se condoeram, me acharam merecedora e me deram cidadanias. Além de ilheense, sou soteropolitana: bi-baiana com muito orgulho.

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Mas bem, cheguei para a FliCacau, que se passa em Itabuna, terra de meu pai. Gente muita, sem mais acomodações possíveis, fui hospedada na minha terra, no lindo Jardim Atlântico. Rita, a organizadora, generosamente me deu um dia livre para descansar, e foi o que fiz, nesta natureza privilegiada, comendo jaca e beiju de tapioca, tomando mel de cacau. Pronto, ontem já estava refeita para seguir viagem a Itabuna, onde encontrei Bela Gil, cada vez mais querida, e deitamos falação por mais de hora e meia. Foi bom demais, todo mundo gostou, literatura e gastronomia é sempre um tema encantador, e em se tratando das famílias Gil e Amado, fica melhor ainda.

Pensava escrever ontem mesmo, mas cheguei no hotel em cima da hora para assistir a vitória do Flamengo, time de mamãe, de minha filha Mariana e meu neto Nicolau (eu sou Ypiranga da Bahia, e maria-vai-com-as-outras em campeonatos, assim que ontem era Flamengo). Meeeeeengo! Depois capotei, nem comi.

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Ia procurar alguma coisa já publicada antes para requentar, mas ao ver a jaquinha ilheense entre as frutas do café da manhã, não resisti em homenagear meu avô João Amado, sergipano que se fez coronel de cacau no sul da Bahia, e comia uma jaquinha pequena todo o dia de manhã. Aprendi com ele. Enquanto espero Archibaldo para conversarmos sobre a Literatura na Praça, que vai acontecer em Ilhéus em agosto, me apresso em escrever, sem revisar muito. Vão desculpano os erros!

Aproveito para agradecer à Via Press -- Elaine Haizin, Rê, Care, Celso, Rose e toda a turma --, que me chamou para o projeto da exposição, que já levamos para Recife, Curitiba e agora Sampa. Agradeço também a Dinalva que me transmitiu o convite para a FliCacau, e toda a turma eficientíssima comandada por Rita, com Priscila, Ruth, seu Regis Neto e os demais da grande equipe que fez um trabalho primoroso e a Elisa e Bela, que fizeram a riqueza de nossa mesa.

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 Me despeço agora, tenho um avião me esperando no aeroporto Jorge Amado para me levar para casa, para os braços de Ci e Lipe, para os carinhos de Xuxu e Mumu.

Bom domingo a todos.