Este é o resumo do artigo de 9 páginas que tem por objetivo apresentar as verdadeiras causas da ameaça de intervenção ou invasão dos Estados Unidos na Venezuela e o que este país tem feito ou poderá fazer para se defender da ameaça de intervenção militar norte-americana. A suposta ação do governo Donald Trump dos Estados Unidos de combate ao narcotráfico nas águas do Caribe e do Pacífico soma-se à ameaça de intervenção militar na Venezuela para a derrubada do governo Nicolás Maduro, acusado sem provas de ser o chefe de narcotraficantes. O Governo Trump realiza bombardeios desde setembro contra barcos nas águas do Caribe e no Oceano Pacífico que afirma estarem transportando drogas sem oferecer provas para embasar suas acusações. Agência da ONU vê indícios de execuções extrajudiciais.
O governo Trump já atacou 20 embarcações no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, e o total de mortos alcançou 80. O secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, frequentemente chama os integrantes de barcos bombardeados pelos Estados Unidos de "narcoterroristas" e, geralmente, não dá mais detalhes sobre evidências que o governo norte-americano tenha para justificar os bombardeios. O secretário de Guerra disse ainda que os ataques foram feitos em águas internacionais.
Trump disse "estar em guerra" contra cartéis de drogas latino-americanos e o presidente ordenou, em agosto, uma operação militar na região da América Latina contra esses grupos. Desde então, os Estados Unidos mobilizaram uma ampla presença militar na região e fizeram ataques recorrentes a embarcações no mar do Caribe e em regiões do Oceano Pacífico próximas à costa colombiana da América Latina. Os ataques a embarcações compõem uma estratégia de pressão ao governo Nicolás Maduro da Venezuela, que é considerado chefe do Cartel de Los Soles pelos Estados Unidos. O presidente venezuelano acusa o governo Trump de realizar uma campanha de pressão que tem como objetivo o tirar do poder.
Não existem dúvidas de que o tráfico de drogas é crime que precisa ser combatido em todo o mundo. No combate ao tráfico de drogas, a ação correta é prender suspeitos de crimes e não matá-los sem provas como faz o governo Trump. Um suspeito do tráfico de drogas não pode ser morto da forma como faz o governo Trump a menos que sua culpa seja comprovada na justiça. É importante observar que o que se pratica no Caribe são assassinatos indiscriminados contra pessoas sem comprovação de que elas sejam narcotraficantes.
O fato de Trump alegar que os barcos bombardeados pertenciam a um grupo narcotraficante venezuelano, não pode transformar os membros da gangue em alvos militares. Nem mesmo o fato desses ataques aéreos estarem ocorrendo em águas internacionais não dá ao governo dos Estados Unidos o direito de matar, em vez de prender. Além de ilegais, os ataques aéreos contra narcotraficantes ou não, são covardes e criminosos. De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, o presidente Trump não pode desenvolver nenhuma ação militar a menos que seja autorizado pela própria Constituição. Como a Constituição dos Estados Unidos não autoriza esses ataques aéreos, o governo Trump pratica uma flagrante ilegalidade, além de atentar contra o Direito Internacional.
A Constituição dos Estados Unidos não dá ao presidente Trump o direito de fazer tudo o que ele quiser. A Constituição dos Estados Unidos concede ao Congresso e não ao presidente o poder de declarar guerra. O presidente Trump não pode declarar guerra unilateralmente contra a Venezuela. Como ele não pode declarar guerra contra a Venezuela para se apossar de seus poços de petróleo, cujas reservas são as maiores do mundo, que parece ser sua verdadeira intenção, Trump manda bombardear barcos de supostos narcotraficantes supostamente comandados pelo presidente Nicolás Maduro e, desta forma, justificar a invasão da Venezuela sem declarar guerra. Esta parece ser a verdadeira intenção associada aos bombardeios de barcos no Caribe pelo governo dos Estados Unidos.
Tudo leva a crer que a matança que o governo Trump realiza contra supostos narcotraficantes nas águas do Caribe representa uma “cortina de fumaça” para realizar seu principal objetivo que é o de intervir militarmente na Venezuela. Muita gente poderia perguntar quais são as verdadeiras causas da ameaça de intervenção ou invasão dos Estados Unidos na Venezuela e como este país poderá fazer frente à ameaça de intervenção militar norte-americana? Esta é a pergunta que será respondida nos próximos parágrafos.
As verdadeiras causas da ameaça de intervenção ou invasão dos Estados Unidos na Venezuela
As principais causas da ameaça de intervenção ou invasão dos Estados Unidos na Venezuela são as seguintes: 1) Venezuela ser possuidora das maiores reservas de petróleo do mundo; 2) Inserção da Venezuela na estratégia militar russa e estratégia econômica e tecnológica chinesa; 3) Cooperação militar da Venezuela com Rússia e Irã; 4) Pressão de grupos políticos domésticos e estados norte-americanos contra a Venezuela; 4) Colapso econômico da Venezuela provocado pelas sanções econômicas dos Estados Unidos que ocorre há vários anos e as migrações consequentes; 5) Contestações de legitimidade presidencial de Nicolás Maduro; 6) Militarização da região do Caribe e do Pacífico e presença de tropas dos Estados Unidos em países vizinhos; 7) Conflito entre Venezuela e Guiana sobre Essequibo (2023–2024); e, 8) O discurso antagônico do chavismo contra o imperialismo norte-americano.
O que a Venezuela tem feito ou poderá fazer para enfrentar a ameaça de intervenção militar norte-americana
Há evidências sérias de que os Estados Unidos busquem anexar o território venezuelano para se apossar das reservas de petróleo, as maiores do mundo, e neutralizar a influência russa e chinesa na Venezuela e de que há um plano formal de invasão iminente da Venezuela com a intenção de ocupar militarmente o país como ocorreu no Iraque. O que existe é muita pressão política, econômica e militar, somada às condições regionais e energéticas que potencializam a ameaça de intervenção militar da Venezuela pelos Estados Unidos.
Para fazer frente à ameaça militar dos Estados Unidos em defesa de sua soberania, a Venezuela vem adotando as estratégias militares, econômicas, de política internacional e diplomáticas descritas a seguir:
1. Estratégias Militares da Venezuela
A Venezuela não possui capacidade de derrotar militarmente os Estados Unidos em um conflito convencional. Assim, qualquer estratégia realista inevitavelmente se concentra em: 1) dissuasão (para fazer entender ao inimigo que o custo da intervenção militar será alto), guerra assimétrica (como táticas de guerrilha, terrorismo, guerra psicológica e cibernética), profundidade estratégica em selvas e montanhas (espaço e tempo que um país ou exército tem para se organizar contra um ataque, protegendo seus centros vitais, como centros industriais, capital, mão de obra, e utilizando recursos como seu vasto território, barreiras naturais e infraestrutura para ganhar tempo e reagir de forma eficaz); 2) alianças militares externas com a Rússia para realizar treinamentos militares, manutenção de S-300, Sukhoi Su-30, cooperação de inteligência e satélites e possível entrega de sistemas antinavio e antiacesso - A2/AD), aliança militar com a China para desenvolver inteligência cibernética, Drones de vigilância e ataque (Wing Loong) e Suporte logístico dual-use, aliança militar com o Irã para utilizar drones (“suicide drones”), realizar treinamento para guerra assimétrica e cooperação naval e aliança militar com Cuba no desenvolvimento de inteligência e contrainteligência de alto nível e doutrina de resistência prolongada; 3) o custo político-diplomático elevado para os Estados Unidos (alto custo político-diplomático relativo a gastos financeiros ou a consequências negativas em relações internacionais); e, 4) dispersão de ativos militares com a Venezuela atuando para dispersar aeronaves, radares e sistemas antiaéreos em múltiplas bases, uso de abrigos fortificados e sistemas móveis e adoção de “mimetização civil” para dificultar detecção e destruição.
2. Estratégias Econômicas da Venezuela
Um conflito ou ameaça militar direta exige uma estratégia econômica centrada na resiliência, diversificação, alianças financeiras e neutralização dos efeitos de sanções econômicas. Para reduzir a vulnerabilidade em relação ao sistema financeiro ocidental, a Venezuela busca: 1) diversificar mercados e realizar articulação econômica com outros países com o objetivo de exportar petróleo para China, Índia, Turquia e Irã; 2) utilizar moedas alternativas (yuan, rublos, riais); 3) adotar sistemas de pagamentos alternativos (CIPS chinês); 4) adotar parcerias estratégicas no setor petrolífero ao firmar acordos de pré-compra com China/Índia (garantindo fluxo financeiro estável), trocar petróleo por bens essenciais (acordos de barter com Irã e Rússia) e usar a empresa petrolífera PDVSA como instrumento geopolítico; 5) aumentar a resiliência alimentar e industrial da Venezuela com a expansão da agricultura interna, produção nacional de insumos básicos e prioridade à indústria de defesa (munição, drones, blindados leves); 6) adotar a economia de “guerra híbrida” com o uso de criptomoedas estatais, ampliação da economia informal e redes clandestinas de comércio e parcerias com empresas estatais de países aliados; e, 7) integração com organismos internacionais alternativos, como BRICS (busca de adesão), OPEP (proteção petrolífera) e Organização de Cooperação de Xangai (cooperação militar indireta).
3. Estratégias de Política Internacional e Diplomática da Venezuela
A ação de política internacional e diplomática da Venezuela busca: 1) Difundir a narrativa de autodeterminação e anti-imperialismo para obter apoio global; 2) Obter apoio de países descontentes com os Estados Unidos (Rússia, China, Irã, Nicarágua, Cuba); 3) Explorar divisões internas na política interna dos Estados Unidos (oposição do Congresso a novas guerras); e, 4) Utilizar o direito internacional para questionar bloqueios e ameaça de uso da força.
Conclusões
Pelo exposto, a ameaça de intervenção do imperialismo norte-americano na Venezuela deriva de convergência de interesses energéticos, lógicas geopolíticas, rivalidades globais e pressões políticas internas nos Estados Unidos. A Venezuela tornou-se um ponto de tensão porque reúne três características raras simultaneamente: 1) Grandes reservas de petróleo, as maiores do mundo; 2) Alinhamento com potências rivais dos Estados Unidos (Rússia, China e Irã); e, 3) Crise econômica interna dos Estados Unidos que enfraquece a posição internacional do governo Trump. Essa combinação coloca os Estados Unidos no centro da disputa pela hegemonia no hemisfério ocidental. Em um cenário futuro de confronto direto, as probabilidades de vitória militar venezuelana contra os Estados Unidos são praticamente nulas. Mas o objetivo real não é a Venezuela vencer, mas tornar o custo da guerra inaceitavelmente alto, obrigando os Estados Unidos a desistirem dela. Assim, a estratégia venezuelana é fundamentada em:
· Dissuasão
· Guerra assimétrica prolongada.
· Alianças com grandes potências rivais dos Estados Unidos
· Resiliência contra sanções econômicas dos Estados Unidos
· Pressão diplomática e narrativa internacional em defesa da soberania da Venezuela
Para assistir o vídeo, acessar o website https://www.youtube.com/watch?
Para ler o artigo de 9 páginas em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/