O lamento da floresta ecoa no segundo dia do Duelo na Fronteira
Boi-bumbá Flor do Campo se apresentou neste sábado, 15.
16/11/2025 10h30
Por: Redação Fonte: ALE-RO
Sob os versos de “Quando a floresta cantava, quando a vida brotava”, da toada de Leonardo Pantoja, o Flor do Campo transformou o bumbódromo de Guajará-Mirim em território sagrado na noite deste sábado (15). Ao som de tambores e do clamor da Amazônia, a agremiação fez a floresta pulsar em cena, convocando ancestrais, guardiões e criaturas místicas para ecoar o pedido de uma terra que sofre, mas ainda resiste.
Foto: Reprodução/ALE-RODançarinas em movimentos que evocam o renascimento da floresta e o pedido por proteção ao território amazônico (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
O boi entrou na arena antes das 23h, invocando os espíritos da mata sob o tema “Clamor – o lamento da floresta”. Criado em 1981, o Flor do Campo reafirma, há mais de quatro décadas, sua identidade: a floresta como sagrada, viva e indispensável. Em 2025, essa mensagem ecoou ainda mais forte. Tambores, fogos e cores conduziram o público a um chamado de consciência, traduzido em cena, música e espiritualidade.
A toada “O Clamor da Floresta” guiou o espetáculo com versos que denunciam a ganância, a devastação e o ferimento do “seio da vida”. Na arena, o lamento converteu-se em resistência.
Foto: Reprodução/ALE-ROParticipantes entraram no bumbódromo com indumentárias inspiradas em raízes, galhos e elementos da mata (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
Segundo a diretora executiva da agremiação, Rosa Solani, o enredo deste ano é um apelo ao cuidado com o território amazônico e à memória dos povos que o sustentam.
“É um apelo pela floresta viva. O Flor do Campo sempre levantou a bandeira da preservação da natureza e da biodiversidade. A degradação é grande, e queremos abrir os olhos do mundo”, enfatizou.
Foto: Reprodução/ALE-ROA dança celebra a força feminina das aldeias, símbolo da energia que sustenta a floresta viva (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
Durante a apresentação, a agremiação exibiu o xauara, figura que simboliza a destruição: queimadas, rios poluídos, serras e motosserras que derrubam árvores. A alegoria traduz a “massa da destruição” - resultado de incêndios, desmatamento e garimpo ilegal, ameaças constantes aos povos da floresta.
Seringueiro – figura positiva, representante dos trabalhadores que dependem da floresta em pé. Garça, arara e gavião-real – animais que personificam a vida que resiste e depende de territórios preservados. Peixes da piracema – lembrança do ciclo natural dos rios e da importância de mantê-los limpos. Cacicas e mulheres indígenas – força feminina das aldeias, destacando quem luta diariamente pela sobrevivência da Amazônia. Povo Karipuna – homenagem aos povos originários e às histórias preservadas por gerações. Sinhazinha do Campo – vestida de amarelo em referência aos ipês amarelos, símbolo da natureza viva.
Foto: Reprodução/ALE-ROA serpente mística surgiu na arena conduzida pelos brincantes, simbolizando as forças ancestrais que habitam a Amazônia e que alertam para a necessidade urgente de proteger a floresta viva (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
A apresentação também reverenciou ativistas que defendem a floresta em pé, como Chico Mendes, e reforçou mensagens como “A floresta vale mais de pé do que deitada” e “Amaldiçoados quem maltrata a terra”.
Em diversos momentos, o espetáculo destacou os ancestrais indígenas, o ar que “já não é mais puro”, rios que pedem proteção e o futuro dos “povos curumins” - metáfora das próximas gerações que dependerão das escolhas feitas hoje.
Ao final da apresentação, o boi desceu da arena e foi ao encontro da multidão, reafirmando sua essência: uma manifestação feita pelo povo e para o povo, que nasce da terra amazônica e retorna a ela em forma de arte.
Reunindo cerca de 300 brincantes e 21 itens oficiais, o Flor do Campo emocionou o público e reforçou seu histórico de valorização da identidade regional.
Após levar em 2024 o tema “Terra de um povo mestiço” , a agremiação renova, em 2025, seu compromisso com a preservação ambiental, com a ancestralidade e com a Amazônia viva.
Foto: Reprodução/ALE-ROA arena foi tomada pelas cores vibrantes da apresentação, enquanto a torcida vermelha vibrava nas arquibancadas (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
Foto: Reprodução/ALE-ROApresentação emocionou o público com enredo “Clamor – o lamento da floresta”, exaltando a resistência dos povos amazônidas (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
Na primeira noite do festival, sexta-feira (14), o boiMalhadinho iniciou sua apresentação com atraso, devido à chuva. O grupo entrou na arena por volta da 1h, levando o enredo “Somos amazônidas”, mas teve o espetáculo interrompido após uma hora de execução.
Foto: Reprodução/ALE-ROCoreografias encantaram com movimentos que celebram a natureza viva, reforçando a mensagem de preservação defendida pelo boi (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
Os itens apresentados pelo Malhadinho até o momento da interrupção foram registrados. Os que não puderam ser exibidos receberão as mesmas notas atribuídas ao Flor do Campo na noite de sábado (15), conforme prevê o regulamento.
Foto: Reprodução/ALE-ROApresentação reforça o compromisso do Flor do Campo com a preservação ambiental e a cultura amazônica (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
Pelo segundo ano consecutivo, a Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) realiza a transmissão ao vivo do evento, pelo canal 7.2 da TV Assembleia e pelo YouTube . As matérias sobre o festival também podem ser acompanhadas no site oficial da Casa .
Foto: Reprodução/ALE-ROA Alero destinou emendas parlamentares e aprovou diversos projetos para realização do evento (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)
A Alero participa ativamente da realização do Duelo na Fronteira 2025, ao destinar recursos por meio de emendas parlamentares e aprovar projetos que contribuem para sua execução.
Foto: Reprodução/ALE-ROA torcida do Flor do Campo levantou arquibancadas inteiras em vermelho, vibrando a cada item apresentado (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)