Cultura Flica 2025
Manuela d’Ávila na FLICA 2025: “O nosso feminismo é pra mudar o mundo, não é pra gente ser feliz só”.
Durante participação na mesa “Desafiar”, ao lado da escritora e educadora Bárbara Carine, a escritora e jornalista falou da luta feminista no Brasil e comentou sobre a polêmica que envolve a influenciadora Cíntia Chagas.
24/10/2025 21h33
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Viva Comunicação Interativa / Tatiane Freitas
Manuela d’Ávila | Bárbara Carine, Georgina Gonçalves. Fotos: Gustavo Rozário.

Durante a mesa “Desafiar”, realizada no segundo dia da FLICA 2025, a jornalista e ativista feminista Manuela d’Ávila aproveitou o momento, diante de uma plateia lotada, para refletir sobre feminismo, igualdade de gênero e a importância de transformar o espaço público em um lugar seguro e inclusivo para todas as mulheres.

Em uma fala potente, Manuela destacou que a luta feminista precisa ser coletiva e politizada. “Eu me abasteço para tentar transformar esse mundo em lugar que seja bom para que todas nós vivamos do jeito que quisermos ser. E, para isso, é preciso transformar o feminismo num instrumento de luta política. Esse feminismo que nos engaja em um projeto de transformação radical, de emancipação de todas nós”, afirmou, conectando a dimensão ética e pessoal à ação política.

Numa intervenção da mediadora, a professora Georgina Gonçalves, a ex-deputada foi instada a falar sobre a polêmica recente com a influenciadora digital e educadora Cíntia Chagas, que veio a comentar publicamente sobre a violência doméstica sofrida, reconhecendo que sua antiga posição antifeminista era um mecanismo de fuga, fruto do fato de estar submersa a uma lógica conservadora que reduz a felicidade das mulheres à conquista de um casamento feliz. Reconhecidamente de direita, hoje Cíntia avalia a causa feminista como suprapartidária e confessa que recebeu mais apoio de mulheres da esquerda do que da direita.

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“Aquele debate foi tão forte e tocou a todos nós, porque diz muito sobre emancipação. É preciso construir pontes e parar de dizer que estamos certas, e tentar trazer outras mulheres e outros homens pro nosso lado da luta, da emancipação das mulheres. Ainda que essa luta não seja igual entre mulheres brancas, negras, ricas e pobres”, ressaltou.

A ativista também refletiu sobre como as mulheres são educadas para priorizar o outro e não se colocarem como protagonistas de suas próprias histórias. “Amar o próximo como a nós mesmas não é simples. Nós somos educadas para pensar só no outro e jamais em nós mesmas como protagonistas da história. E, portanto, somos capengas na possibilidade de transformação. Acho que a gente precisa de uma equação, talvez um novo poder, um poder em que as mulheres se coloquem dentro da sociedade”, explicou, recebendo aplausos da plateia.

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Ao longo do debate, Manuela lembrou ainda que as críticas e ataques que enfrentou, inclusive durante eleições passadas, revelam a caricatura construída sobre o feminismo e sobre mulheres públicas. “Nada do que nós fazemos é capaz de superar a violência que sofremos individualmente, porque ela é coletiva. É uma sacanagem parecer que é sobre uma de nós quando é sobre todas as mulheres. O meu feminismo não é pra reafirmar quem eu sou; eu fui a mulher mais votada proporcionalmente no Brasil, e o que adiantou? Pra eu ficar vaidosona? Não! A nossa luta é pra mudar o mundo e não pra ser feliz só”, concluiu.

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Onde tem patrocínio à cultura tem Governo do Brasil! — A 13ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz), Caixa, Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura — Lei Rouanet e Governo Federal. É contemplado também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada da SecultBA, e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da EMBASA. A realização é da SCHOMMER, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cachoeira e LDM (livraria oficial do evento).