Agricultura Piauí
Telmira da Chapada da Sindá será homenageada na Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí
A Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) vai homenagear uma das maiores líderes na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e das quebradeira...
20/10/2025 11h45
Por: Redação Fonte: Secom Piauí

A Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) vai homenagear uma das maiores líderes na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e das quebradeiras de coco babaçu: Telmira, da comunidade Chapada da Sindá, no município de São João do Arraial. O nome do palco principal da II Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí será o da ativista, para lembrar a sua luta. Além do nome do palco, haverá ainda um espaço dedicado às quebradeiras de coco babaçu, com um painel que conta a história de vida e de luta de Telmira.

O evento será realizado entre os dias 23 e 25 de outubro, no Espaço Rosa dos Ventos, na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
Telmira da Chapada da Sindá será homenageada pelo seu trabalho para as mulheres da sua comunidade.

Para a secretária da Agricultura Familiar do Piauí, Rejane Tavares, a história de Telmira foi muito importante para a conquista dos direitos das quebradeiras de coco e dos moradores da Chapada da Sindá.

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“Desde muito cedo, Telmira lutou para garantir a sobrevivência dela e dos seus filhos. Ela é uma mulher muito forte, muito lutadora, que estruturou todo o processo ali da Chapada da Sindá, que é um assentamento do Crédito Fundiário hoje. Cada morador tem a sua casa e isso está muito vinculado a essa conquista, às lutas que a Telmira fez”, disse a gestora.

Neta de Telmira, Regina Sousa relembra a trajetória da avó e o impacto que ela deixou entre os trabalhadores rurais da região. “Falar da minha avó e falar de coragem, é quase um sinônimo. Por onde a gente passa, nas comunidades aqui de São João do Arraial, sempre ouvimos falar sobre ela e são relatos bonitos, fortes, que sempre nos emocionam. Ela pensava no bem da comunidade, nos assentamentos que foram construídos, e tinha o desejo de que todos tivessem a liberdade de colher e plantar, reforçando a importância da mulher agricultora, da mulher quebradeira de coco”, relata.

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Foto: Reprodução/Secom Piauí
A neta de Telmira, Regina Sousa, e o seu marido, José Nascimento, preservam o seu legado (Foto: Geirlys Silva / SAF)

Regina também expressa a emoção e o orgulho da família com o reconhecimento da história de sua avó. “Essa homenagem é uma reafirmação de que, mesmo não estando mais presente fisicamente, ela continua viva nas histórias, nas memórias, nas conversas e nas homenagens que lhe são prestadas. E desejamos que histórias, como a dela e de tantas outras mulheres e homens, continuem sendo contadas e jamais sejam esquecidas”, afirma.

Conheça a história de Telmira da Chapada da Sindá

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Maria Altemira do Nascimento, mais conhecida como Dona Telmira da Chapada da Sindá, nasceu em 27 de junho de 1947, no município de Esperantina. Trabalhadora rural e quebradeira de coco babaçu, tornou-se uma das principais líderes na luta pelos direitos das mulheres da comunidade.

Desde a década de 1980, Telmira ingressou na luta sindical, participando da criação do Movimento das Trabalhadoras Rurais da Chapada da Sindá. Ao longo de sua trajetória, enfrentou proprietários rurais e a polícia para garantir o livre acesso ao babaçu, denunciando as práticas injustas dos fazendeiros, que proibiam a coleta, ameaçavam às mulheres e impunham preços e condições injustas para a venda do produto.

Por sua liderança, foi presa em Esperantina quando sua filha caçula tinha apenas seis meses. Com o passar dos anos, Telmira e outras lideranças conquistaram o acesso à terra e criaram os assentamentos Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida, em 2003. Hoje, esses assentamentos abrigam 52 famílias, com acesso a água, energia, áreas agrícolas, escola, quadra poliesportiva e um posto de saúde em construção.

Telmira faleceu em 2018, aos 71 anos, deixando seis filhos, dezoito netos e quatorze bisnetos. Seu cortejo foi marcado pela emoção e pelas homenagens de suas companheiras de luta, que cantaram o hino das quebradeiras de coco babaçu, símbolo de sua trajetória de coragem, luta e persistência.

II Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí

Foto: Reprodução/Secom Piauí

O evento será realizado de 23 a 25 de outubro, no Espaço Rosa dos Ventos, na UFPI, em Teresina, com o tema “Agricultura Familiar é Futuro Sustentável”. A programação inclui o Encontro da Agricultura Familiar, Povos e Comunidades do Semiárido, que terá debates, oficinas e palestras sobre mudanças climáticas e resiliência dos agricultores, além da participação de cerca de 200 agricultores familiares de todos os territórios do Piauí.

O evento terá um espaço da Quitanda com a comercialização de frutas e hortaliças e também com o espaço Trança, que vai comercializar variedades de produtos artesanais ligados à agricultura familiar. A feira também contará com atrações artísticas e culturais.

A II Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí é uma promoção do Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), do Consórcio Nordeste e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O evento é realizado pelo projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI), financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

A feira conta ainda com o apoio da Fundação de Apoio ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte (Funcern), dos Institutos Federais do Rio Grande do Norte (IFRN) e do Piauí (IFPI), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).