Meio Ambiente Transição Verde
“Brasil deve liderar transição verde”, afirma presidente da COP30 em Brasília”, durante última edição do CNN Talks.
Às vésperas da Cúpula do Clima da ONU, lideranças do setor público e privado se reuniram em Brasília para discutir bioeconomia, sustentabilidade e inovação no país.
18/10/2025 23h21 Atualizada há 5 meses
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Loures Comunicação / LEONARDO NASCIMENTO
(Presidente da COP30 durante participação de painel no CNN Talks. Foto: Matheus Campos/Amcham

A 3ª e última edição do CNN Talks COP30 reuniu, na noite da última quarta-feira (15), em Brasília, algumas das principais lideranças nacionais ligadas à agenda do clima e ao financiamento da transição energética. O encontro, promovido pela CNN Brasil, marcou o início da contagem regressiva para a Conferência do Clima da ONU (COP30), que será realizada em Belém–PA em novembro, e consolidou a posição do país como protagonista global na busca por soluções sustentáveis.

Durante as discussões, André Aranha Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou que a cúpula será uma “COP da implementação”, na qual o Brasil terá a oportunidade de apresentar ao mundo projetos concretos de transição verde. Segundo ele, o evento será uma “enorme vitrine para o que o país está fazendo”, com destaque para iniciativas como o Tropical Forests Forever (TFF), fundo que propõe um novo modelo de cooperação internacional para preservação das florestas tropicais.

“Essa agenda tem tudo para favorecer o Brasil, que possui imensas vantagens geopolíticas. Queremos mostrar que o país está cheio de soluções e ideias. A COP será uma oportunidade para projetar o Brasil na economia contemporânea”, afirmou durante painel.

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O diplomata também ressaltou a importância do setor privado no financiamento climático. Segundo ele, apenas a participação empresarial será capaz de transformar os atuais US$ 300 bilhões destinados à adaptação em investimentos na casa de US$ 1,3 trilhão por ano, como prevê o roadmap de Belém. “Os países em desenvolvimento pagam caro para acessar capital e recebem menos do que precisam. Por isso, o setor privado é essencial: ele pode multiplicar em até 25 vezes os investimentos até 2035”, reforçou.

André ainda destacou que as energias renováveis vivem um momento de irreversibilidade, impulsionadas pelo avanço tecnológico da China e por compromissos internacionais de triplicar a capacidade global instalada. “Há muito otimismo. A transição é irreversível e representa não só uma agenda ambiental, mas uma nova lógica de crescimento econômico”, pontuou.

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Belém pronta para receber o mundo.

O governador do Pará, Helder Barbalho, apresentou o legado de infraestrutura e sustentabilidade que prepara Belém para o maior evento diplomático das Nações Unidas já realizado no Brasil. Segundo ele, 98% das obras estão concluídas, com R$ 5 bilhões investidos em um ano e meio.

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Entre as entregas, estão a duplicação do aeroporto, o novo sistema BRT metropolitano, a maior estação de tratamento de esgoto da cidade e a revitalização da área portuária, que abriga o maior investimento em bioeconomia do mundo. “Queremos transformar Belém em um grande cluster, unindo ciência, tecnologia e o conhecimento ancestral dos povos da floresta. O desafio é fazer com que floresta viva valha mais do que morta, monetizar os serviços ambientais e mostrar que é possível crescer preservando”, explicou.

“Barbalho destacou também a redução de 65% no desmatamento do Pará desde 2018 e o potencial do estado em gerar créditos de carbono, com um estoque estimado em 350 milhões de toneladas capturadas. “Hoje, o Pará pode se apresentar como um estado neutro em emissões. A bioeconomia é nossa nova vocação e queremos inspirar o mundo a partir da Amazônia”, afirmou.

Desenvolvimento e inclusão na transição verde.

A secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Julia Cruz, reforçou que os investimentos em descarbonização devem ser vistos como projetos de desenvolvimento econômico e social, e não apenas ambientais. “A transição energética precisa ser inclusiva. Estamos falando de reduzir emissões, mas também de gerar emprego, renda e tecnologia. Não há sustentabilidade sem justiça social”, destacou.

Ao longo de sua participação, citou iniciativas que integram plataformas do BNDES e da BIP (Banco de Investimentos Públicos), voltadas à transformação de setores intensivos em carbono, como cimento, vidro e química, em indústrias mais limpas e competitivas.

Diplomacia, consenso e novas soluções.

Encerrando o debate, Corrêa do Lago reforçou que o maior legado da COP30 será reafirmar o multilateralismo como caminho para o diálogo e o consenso global, em um contexto geopolítico desafiador. “Queremos mostrar que ainda é possível chegar a consensos, mesmo num mundo polarizado. A COP30 será a prova de que a cooperação internacional continua sendo o melhor instrumento da diplomacia.”

Para o embaixador, o Brasil tem a chance de redefinir a percepção global sobre seus setores produtivos. “Floresta, agricultura e mineração serão apresentadas não como problemas, mas como soluções para o clima”, concluiu.

Também fizeram parte do time de painelistas do evento:

Essa edição do CNN Talks contou com o apoio da Stellantis, Bradesco, Copersucar, Acelen, GWEC, B3 e do Governo do Estado do Mato Grosso do Sul. A íntegra do evento está disponível no canal oficial da CNN Money no YouTube.

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