De 10 a 14 de setembro, Lauro de Freitas será palco da II Edição da Feira de Literatura Inclusiva (FLI LAURO), um evento que celebra a diversidade, a acessibilidade e a democratização do acesso à leitura. Com uma programação que se estende das 9h às 20h, o festival acontecerá na Praça João Thiago dos Santos (Praça da Matriz) e no Cine Teatro, no centro da cidade, reunindo escritores, editoras, artistas e o público em uma imersão cultural única. E no dia 11, às 9h, Coriolanno Oliveira Filho, pesquisador cultural com o projeto Gávea Cultural promove a divulgação sobre os Mestres de Cultura junto com o Professor Antônio Caludio. Já na parte da tarde, 16h promove uma roda de conversa com os Mestres de pescarias no espaço Yaya na Flilauro, sobre arte de ser pescador. Com as presenças dos pescadores, Ascendino dos Santos (Mestre Cidu), Mauricio Costa Nascimento (Mestre Mauricio) e Jonas Tomaz dos Santos (Mestre Touro).
Com uma proposta inovadora, a feira busca valorizar a inclusão por meio da literatura, da tecnologia assistiva e da arte. O evento garantirá espaço para pessoas com deficiência e promoverá atividades acessíveis para todos os públicos, reafirmando o compromisso de democratizar a cultura.
Em sua programação especial, a FLI LAURO, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e a Gávea Cultural, por meio do Núcleo de Educação Patrimonial, realizam o evento "Escrevendo a nossa história". O objetivo é promover a identidade cultural, valorizando as tradições, os saberes e as manifestações de um povo. Em Lauro de Freitas, uma cidade marcada pela diversidade racial e cultural, essa celebração se volta para a rica herança da cultura popular tradicional.
Nesta edição, três pescadores, Ascendino dos Santos (Mestre Cidu), Mauricio Costa Nascimento (Mestre Mauricio) e Jonas Tomaz dos Santos (Mestre Touro), serão homenageados em uma roda de conversa no espaço Yaya na Flilauro evento especial. A programação, também incluiu a apresentação de grupos culturais, a exibição do documentário "Mestres da Cultura Popular", produzido e protagonizado por alunos da Escola Municipal Ana Lúcia Magalhães, e a distribuição de calendários dedicados aos homenageados.
Ascendino dos Santos (Mestre Cidu). Foto: Redes sociais.
As homenagens são um reconhecimento da "mestria" na pesca artesanal, uma tradição que vai muito além de uma simples habilidade. Na praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas, a mestria é um conhecimento profundo do mar, dos ventos, das marés e dos ciclos da natureza, definindo o pescador como um verdadeiro mestre em seu ofício. É um ponto de chegada e de partida, que garante a reprodução da cultura e das práticas ancestrais da pescaria na região.
Mauricio Costa Nascimento (Mestre Mauricio). Foto: Redes socias.
O mestre-pescador atua como um educador, sendo o guia e a autoridade da tripulação. Seu trabalho se sustenta na "companha", um sistema de cooperação baseado em laços familiares e pessoais, que valoriza a força coletiva, o afeto e o domínio técnico. Para os pescadores de Buraquinho, a perfeição na ação de "fazer" é o que lhes confere o título de "artista do mar", pois sua arte não está na originalidade, mas na competência e na excelência.
Jonas Tomaz dos Santos (Mestre Touro). Foto: Redes socias.
Um dos saberes mais importantes do mestre é o sistema de "marcação", uma forma tradicional de mapeamento do mar. Esse conhecimento, baseado na memorização de pontos de referência em terra, é fundamental para o sucesso da pesca e para a segurança da tripulação. O domínio dessa arte é o que sela o reconhecimento de um pescador como mestre, um título que se confirma pelo silêncio dos mais velhos, que reconhecem no talento e na prática do mais novo a prova de que ele está pronto para conduzir seu próprio caminho.