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Da vida para as telas: Festival Transamazônico exalta cultura e direitos humanos

O segundo dia do Festival Transamazônico de Cinema LGBTQIAPN+ seguiu envolvendo o público nesta quarta-feira, 26, com a exibição de mais curtas e l...

27/02/2025 às 15h43
Por: Redação Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

O segundo dia do Festival Transamazônico de Cinema LGBTQIAPN+ seguiu envolvendo o público nesta quarta-feira, 26, com a exibição de mais curtas e longas-metragens que dão luz a vivências e desejos da comunidade. De maneira presencial e gratuita, o evento celebrou o amor pelo cinema e a reivindicação de direitos humanos, no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco.

Iniciativa visa democratizar acesso à cultura com mostra de curtas, longas-metragens e oficinas. Foto: cedida
Iniciativa visa democratizar acesso à cultura com mostra de curtas, longas-metragens e oficinas. Foto: cedida

O Festival Transamazônico é um projeto aprovado pela Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022), que representa o maior investimento direto já realizado no setor cultural do Brasil, destinando R$ 3,8 bilhões para a execução de ações e projetos culturais em todo o território nacional.

O governo do Acre prestou apoio ao evento por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), da Secretaria de Comunicação (Secom) e da Fundação Elias Mansour (FEM), contribuindo com a divulgação, mobilização do público atendido e cessão do espaço.

Festival Transamazônico está sendo realizado no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco, até quinta-feira, 27. Foto: Ingrid Kelly/Secom
Festival Transamazônico está sendo realizado no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco, até quinta-feira, 27. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Olhos para a Amazônia

A curadoria dos filmes projetados na atual edição do festival foi feita por nomes respeitados no meio cinematográfico, como Kika Sena, Nena Mubarac e Clemilson Farias. Espalhados pelo Brasil, o time de curadores incluiu uma ampla variedade na seleção de curtas e longas-metragens, buscando maior destaque para produções amazônicas e obras com forte impacto social.

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Kika Sena, atriz, poeta e roteirista alagoana, tem uma relação especial com o Acre, onde viveu por quatro anos e realizou conquistas, como ser a primeira mulher trans a obter o título de mestre na Universidade Federal do Acre (Ufac), em Teoria e Prática das Artes Cênicas, e participar do premiado filme Noites Alienígenas, do diretor Sérgio de Carvalho.

No segundo dia de festival, Kika Sena ministrou oficina na Universidade Federal do Acre (Ufac) sobre a presença de profissionais trans e travestis na indústria cinematográfica brasileira. Foto: cedida
No segundo dia de festival, Kika Sena ministrou oficina na Universidade Federal do Acre (Ufac) sobre a presença de profissionais trans e travestis na indústria cinematográfica brasileira. Foto: cedida

Seu protagonismo também brilhou no longa Paloma, exibido no primeiro dia do evento. Dirigido por Marcelo Gomes, o drama conta a história de uma mulher transexual, produtora rural, que sonha em se casar na igreja com o namorado, mas enfrenta resistência da igreja e da sociedade local. Baseado em uma história verídica ocorrida no sertão de Pernambuco, o reconhecimento do filme garantiu, para Kika, o Troféu Redentor de melhor atriz no Festival do Rio, em 2022.

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Quanto ao processo de escolha de produções para o Festival Transamazônico, a artista explica: “A curadoria define o tom, e por isso construímos uma seleção de filmes pensando em como poderíamos tocar o nosso público”. Sobre as temáticas dos filmes exibidos, define, em poucas palavras: “Nascimento, presença e prosperidade”.

Sobre a curadoria, Kika afirma: “Nos preocupamos em trazer uma maior diversidade de cinema LGBTQIAPN+, trazendo várias vozes, sexualidades e identidades”. Foto: reprodução
Sobre a curadoria, Kika afirma: “Nos preocupamos em trazer uma maior diversidade de cinema LGBTQIAPN+, trazendo várias vozes, sexualidades e identidades”. Foto: reprodução

Reflexo de resistências e afetos

As palavras apontadas pela curadora se refletem diretamente nos filmes do segundo dia do festival. De início, foram apresentados os curtas Nome Sujo, A Menina Atrás do Espelho e Bixas Pretas: Entre o Amor e os Afetos.

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Acompanhado dos curtas-metragens, também esteve Alma do Deserto, filme coproduzido entre Brasil e Colômbia, que se volta para documentar a jornada de Georgina Epiayu, uma mulher transgênero da etnia Wayúu, dos povos originários da América, na tentativa de emitir sua carteira de identidade. Dirigido por Mónica Taboada-Tapia, o documentário revela a luta por reconhecimento de uma mulher de 70 anos em busca de seus direitos fundamentais após anos de negligência da sociedade em que vive.

Boa parte dos diálogos presentes em Alma Deserto são falados na língua nativa da protagonista, o Wayuunaiki. Foto: Carlos Alexandre/Secom
Boa parte dos diálogos presentes em Alma Deserto são falados na língua nativa da protagonista, o Wayuunaiki. Foto: Carlos Alexandre/Secom

O longa chamou a atenção de Gabriele dos Reis, estudante de psicologia da Ufac, que assistiu à mostra de filmes e disse: “Frequento as sessões do Cine Teatro Recreio e fiquei feliz ao saber da realização do festival. Amo cinema e as propostas de debates que são levantadas, abrindo os nossos olhos para realidades que não conhecemos”.

Estudante de psicologia Gabriele dos Reis se diz interessada em cinema e na busca de conhecer novas histórias e visões de mundo. Foto: Carlos Alexandre/Secom
Estudante de psicologia Gabriele dos Reis se diz interessada em cinema e na busca de conhecer novas histórias e visões de mundo. Foto: Carlos Alexandre/Secom

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Animando o público, um grande diferencial do dia foi a performance do grupo de pesquisa Epinesis, que desenvolveu uma apresentação expressiva e fluida de vogue, ou voguing, uma dança moderna estilizada, marcada por posições que remetem a modelos de revistas de moda, com movimentos corporais definidos por linhas e poses.

Organizadores do Festival Transmazônico e membros do grupo Epinesis marcaram presença no segundo dia de evento. Foto: Carlos Alexandre/Secom
Organizadores do Festival Transmazônico e membros do grupo Epinesis marcaram presença no segundo dia de evento. Foto: Carlos Alexandre/Secom

O estilo de dança foi popularizado na década de 1980 por intermédio de festas denominadas de ballrooms e ganhou destaque em 1990, com a cantora Madonna e o documentário Paris is Burning. Embalados pelo som da DJ Lily, a primeira encenação para o público do grupo foi um prelúdio do que seria abordado no filme seguinte.

Famosa na noite LGBTQIAPN+ do Acre, DJ Lily comandou o som durante o festival de cinema. Foto: Carlos Alexandre/Secom
Famosa na noite LGBTQIAPN+ do Acre, DJ Lily comandou o som durante o festival de cinema. Foto: Carlos Alexandre/Secom

O filme Salão de Baile: This is Ballroom encerrou o dia de cinema com chave de ouro. Com a direção de Juru e Vitã, a proposta é documentar bailes do Rio de Janeiro que se voltam a proporcionar um espaço de expressão de arte, identidade e gênero, principalmente para pessoas negras e LGBTQIAPN+.

Com produção bem trabalhada, longa também busca pincelar problemáticas da comunidade, como a falta de acolhimento para alguns membros. Foto: Carlos Alexandre/Secom
Com produção bem trabalhada, longa também busca pincelar problemáticas da comunidade, como a falta de acolhimento para alguns membros. Foto: Carlos Alexandre/Secom

De maneira didática e humanizada, o documentário é uma excelente porta de entrada para todo o universo do vogue, introduzindo seus princípios básicos, ao mesmo tempo em que conta a tocante história de pessoas dissidentes que encontraram seu propósito de vida nessa esfera artística.

Nesta quinta-feira, 27, último dia do Festival Transamazônico, a programação no Cine Teatro Recreio se inicia às 16 horas, com a apresentação de quatro curtas e dois longas, um deles Maués: a Garça, produção acreana sobre uma figura icônica da cena LGBTQIAPN+ do Acre. E, dando o primeiro grito de Carnaval de 2025, o evento será finalizado na Casa do Rio, às 21h30, com o Cine Fest Queer, celebrando a diversidade com música ao vivo, DJ set e performances de dança.

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