
O Governo Federal determinou, no início de fevereiro deste ano, que as escolas públicas devem apostar em menos ultraprocessados e mais comida de verdade. No Piauí, esta preocupação já era uma realidade antes mesmo da lei. Somente em 2024, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em parceria com Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), investiu R$17 milhões para a compra de alimentos de produtores da agricultura familiar para fortalecer as refeições da rede estadual de ensino, ultrapassando os 30% exigidos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Para muitos estudantes, as refeições escolares são as mais importantes do dia. Por isso, os nutrientes devem ser balanceados e cumprir as regras da legislação. Segundo especialistas e diversos estudos desenvolvidos por universidades e institutos de pesquisa, com uma alimentação adequada, o processo de ensino-aprendizagem fica ainda mais efetivo.

No Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) Miguel Lidiano, em Picos, esta preocupação faz parte do cotidiano escolar. “Nós utilizamos tabelas com teores de sódio e açúcares. Então, a gente controla isso e a frequência que isto pode aparecer no cardápio. Os alimentos naturais devem ser priorizados, introduzindo frutas, alimentos regionais, arroz, feijão, cuscuz e o uso de sucos. A escola também é educação nutricional”, explica Neide Sheyla, nutricionista.
Escolas cumprem meta do PNAE
Ramira Torres, gestora da 9ª Gerência Regional de Educação (GRE), conta que a alimentação natural é um compromisso da Seduc e que a meta do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) já está sendo cumprida. “A Seduc investe na agricultura familiar, ultrapassando os 30% que é determinado para cada escola. A nossa GRE, que conta com mais de 11 mil alunos, é exemplo em nível de estado por essa preocupação”, avalia.

Para Islândia Araújo, gestora escolar do Ceti Miguel Lidiano, os alunos entendem que este é um processo de mudança. “É algo significativo porque são hábitos saudáveis. Enquanto escola, nosso papel é mostrar que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados faz mal para a saúde”, acrescenta.
Sobre a legislação
O Ministério da Educação (MEC) publicou, no dia 4 de fevereiro, uma portaria que determina a redução de 15% na presença de produtos ultraprocessados nas merendas das escolas públicas em todo o Brasil. No Piauí, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) já adota uma política nutricional baseada na promoção de alimentos saudáveis, priorizando a compra de produtos naturais e desencorajando o uso de alimentos industrializados com excesso de aditivos químicos.

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