Agricultura São Paulo
Fatec de Jaú mostra como melhorar produção agrícola resgatando a vegetação
Pesquisa comprova que áreas rurais abandonadas ou degradadas podem se transformar em terras produtivas O post Fatec de Jaú mostra como melhorar pro...
12/05/2024 14h50
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom SP

Quem vai à Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Jahu – Octavio Celso Pacheco de Almeida Prado, de Jaú, encontra um belo arboreto com 72 árvores de 12 espécies – um laboratório a céu aberto. Mesclando espécies madeireiras e não madeireiras, frequentemente medidas e avaliadas, a instalação do local teve início com a pesquisa “Florestas Multifuncionais e Integradas para a Sustentabilidade da Paisagem Rural no Estado de São Paulo”. Trata-se da segunda fase de um trabalho iniciado em 2018 pelo engenheiro Jozrael Henriques Rezende, docente da unidade.

A premissa sempre presente era de que as florestas não precisam ser intocadas para conservar a sua diversidade. “É possível explorá-las de forma sustentável”, avisa o professor, resumindo a ideia. Na região, predominantemente canavieira, o nível de desmatamento é alto, a área de vegetação nativa remanescente é pequena e está em muitos pontos degradada. Há ainda terrenos em declive, abandonados depois da mecanização da colheita de cana-de-açúcar, por exemplo. “Não queremos trabalhar as áreas onde há plantações ou pastagem de boa qualidade, mas sim as localidades pouco importantes para o produtor do ponto de vista econômico”, diz Rezende.

Potencial econômico

Na primeira fase da pesquisa, intitulada “Sustentabilidade no Ecótono do Centro-Oeste Paulista”, foi realizado o diagnóstico da região, lembrando que ecótono é área fronteiriça entre dois biomas – no caso, as terras onde a Mata Atlântica começa a se transmutar no que será, mais adiante, o cerrado.

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Enquanto o estado de São Paulo tem cerca de 14% de remanescentes florestais, em Jaú esse índice não passa de 6%. A fim de entender qual a extensão das áreas onde implementar as florestas multifuncionais, Rezende realizou estudos de caso nos municípios de Brotas e Jaú. No primeiro, identificou 12 mil hectares; no segundo, 7 mil hectares.

O trabalho focou na grande quantidade de espécies nativas de potencial econômico, tanto as de produto madeireiro quanto as de produto não madeireiro como frutos, resinas e castanhas – árvores que pudessem gerar renda de forma sustentável e contribuir com o meio ambiente e sua diversidade. No arboreto destacam-se o baruzeiro, produtor da castanha baru, que, segundo Rezende, pode conquistar o mercado internacional, além da palmeira macaúba, capaz de gerar uma boa quantidade de óleo para atrair, entre outros mercados, a indústria cosmética e a da aviação.

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Círculo virtuoso

Entre os estudantes, a pesquisa também vem rendendo frutos: é acompanhada pelos alunos da graduação da Fatec, estudantes com bolsa de monitoria de iniciação científica do Centro Paula Souza (CPS), bem como bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Há ainda os estágios supervisionados. Artigos, trabalhos de graduação e de iniciação tecnológica, além de participação em eventos científicos são algumas das contribuições acadêmicas do estudo.

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“Ao plantar uma espécie para ser cortada, você poupa uma árvore nos demais centros florestais, porque sempre estamos plantando e cortando”, explica o professor. “Com as florestas multifuncionais, é possível escapar do círculo vicioso de queimadas e do desmatamento para criar um círculo virtuoso de plantio e geração de renda a partir do aproveitamento sustentável das espécies nativas.”

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